Entre batizados, é rara a possessão demoníaca. Na China e na Índia, com maioria de pagãos, missionários verificaram que são mais frequentes tais invasões do Maligno. Segundo Dr. Philippe Madre, médico católico, dirigente da Comunidade das Beatitudes, há quatro graus de ação demoníaca sobre a pessoa humana: tentação, infestação, possessão e sujeição. Na tentação, o Inimigo está de fora, sugerindo o mal ou tentando afastar-nos do bem. Na infestação, uma de nossas faculdades (imaginação, memória, inteligência...) é fortemente afetada ou abalada pelo Maligno, mas ainda temos liberdade para agir conforme a própria volição.
Na possessão, a pessoa é tomada (entre batizados, isto só acontece com a própria colaboração, nunca como invasão à força!) e já não pode usar livremente sua vontade. Vi, pessoalmente, casos em que o possesso tentava e não conseguia rezar o Pai-Nosso. Sua voz assemelhava-se ao rosnar de um animal feroz. A recuperação da liberdade exigirá a ação de um exorcista. Na sujeição, a situação é mais grave, pois alguém se entrega ao demônio como um agente do mal. É o caso de mulheres que, conscientemente, se dedicam a desviar sacerdotes de seu ministério. É também o de membros de seitas satânicas, que “celebram” missas negras e oferecem sacrifícios humanos ao Príncipe das trevas. Esse tipo de culto vem-se propagando nos EUA e na União Europeia, de forma crescente, após a 2a Guerra Mundial.
Neste Evangelho, o demônio se autodenomina “Legião”: um coletivo para o grupamento do exército romano, que somava de 3000 a 6000 soldados. No caso, a palavra serve de imagem para a des-personalização da pessoa, quando diferentes “eus” convivem no seu íntimo, a ponto de perder o domínio sobre si mesma.
Em tempos de racionalismo, comete-se um grande esforço para negar aquilo que faz parte da mais legítima tradição católica: a existência de anjos bons e anjos maus (demônios), reduzindo tais manifestações a distúrbios do psiquismo, alucinações coletivas, projeções do inconsciente e fenômenos parapsicológicos. Não é esta, porém, a doutrina da Igreja. Em alocução de 15/11/1972, o Papa Paulo VI advertia: “O mal já não é apenas uma deficiência, mas uma eficiência, um ser vivo, espiritual, pervertido e perversor. Trata-se de uma realidade terrível, misteriosa e medonha. [...] Sai do âmbito dos ensinamentos bíblicos e eclesiásticos quem se recusa a reconhecer a existência desta realidade.”
Orai sem cessar: “Deus se levanta, seus inimigos se dispersam.” (Sl 68,2)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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