terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

PALAVRA DE VIDA

E riam-se dele... (Mc 5,21-43)

     Este um dos aspectos mais chocantes do Evangelho: Jesus causava o riso e a zombaria daqueles que o rejeitavam. Por quê? Bem, Jesus era pobre. Se os ricos recebem cumprimentos e louvores, salamaleques e rapapés, os pobres são alvo de escárnios e galhofas. E Jesus era Galileu, isto é, um roceiro. Falaria com o sotaque daquelas bandas, provocando chacotas dos moradores da Judeia. Lembrar que Pedro, galileu, foi identificado exatamente pelo sotaque de roceiro (cf. Mc 14,70). 
     Mais ainda: Jesus elogiava a pobreza e mostrava a vaidade das riquezas, dava valor às coisas espirituais e diminuía o brilho do dinheiro, do luxo, do poder. Natural, quem andava em busca destas coisas, devia considerar sua pregação como loucura (cf. Mc 3,21). E debochavam do Galileu sonhador... A coisa não pára aí: o ensinamento de Jesus parecia chocar-se com a antiga Lei de Moisés em certas referências aos costumes, preceitos e até mesmo o Templo de Jerusalém. Chegam a dizer que Jesus está possesso de um demônio! (Cf. Mc 3,30.) Querem desprezo maior? 
     Mas o Evangelho traz outro motivo que levava os adversários a zombar dele: a menina está morta – eles já decidiram isto – e Jesus ousa dizer que ela apenas dorme. O ato de esperança é intolerável para os que cultuam a morte. Desta vez, as caçoadas são ostensivas, pois o Mestre age como quem ignora todas as evidências materiais. 
     Ainda hoje a situação é a mesma. Em uma civilização da morte, que aprova o aborto e a eutanásia, que faz comércio de armas e acumula ogivas atômicas em seus arsenais, quando surge alguém a favor da vida, será o alvo preferencial dos difamadores e zombeteiros. Em uma de suas viagens à França, o saudoso Papa João Paulo II foi rotulado pela mídia anticlerical de bobo e de palhaço. No mesmo país, Madre Teresa de Calcutá era acusada de usar os miseráveis para recolher fortunas. 
     Os inimigos de Cristo não têm limites no sarcasmo. Mas o que espera por eles é o mesmo susto que tiveram os contemporâneos de Jesus, quando disse à menina: “Thalita, kum!”, isto é, “Menina, levanta-te!”, e ela imediatamente se pôs de pé. 
     Se um de nós dá ouvidos ao imperativo de Jesus e se põe de pé, mesmo quando todos apostam em nossa morte espiritual e moral, quem sabe se Jesus fica livre de tantas infâmias? Quem sabe, reconhecerão o seu poder e invocarão seu santo Nome? 
     Orai sem cessar: “Senhor, tu voltarás a arrancar-me dos abismos da terra!” (Sl 71,20b) 
     Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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