terça-feira, 26 de março de 2013

PALAVRA DE VIDA


Eu te segurei pela mão! (Is 42,1-7)

       Quando a criança que engatinhava começa a andar, os pais a seguram pela mão, dando-lhe apoio e firmeza. E a criança estende a mão, confiante, pois se sente amada e bem segura. Esta passagem de Isaías – o 1º Cântico do Servo sofredor -, pode ser lida como um retrato da relação entre o Pai e seu Filho: este é o motivo do afeto e do prazer do Pai, que o envia a anunciar seu Amor aos homens. Declarações de amor da mesma natureza seriam ouvidas no Batismo de Jesus e em sua Transfiguração (cf. Mt 3,17; 17,1-8).
      Mas também podemos ver na mesma passagem uma espécie de roteiro – em quatro etapas – de nossa experiência de Deus. Ele nos chama, nos segura pela mão, nos forma e nos designa para levar a luz aos povos. Tudo começa com um chamado: a vocação, que pode ocorrer em qualquer fase da vida, mesmo na fase pré-natal (cf. Jr 1,5). Nos primeiros tempos, verdadeira infância, somos guiados pela mão, passo a passo, carinhosamente educados até que venha a maturidade interior.
      A seguir, passamos por um tempo de formação, quando Deus nos revela a verdade sobre si mesmo e sobre a humanidade que ele ama. Uma vez formados, seremos enviados em missão, destinados a uma tarefa junto ao povo. Em nosso tempo, há muitos cegos que desejam ver, prisioneiros que anseiam pela liberdade, todo um mundo de trevas que espera pela luz. Nossa vocação brota exatamente das necessidades daqueles que sofrem e comovem o coração do Pai. É por eles que acolhemos a missão.
      O profeta olha para trás e percebe como seu caminho foi traçado por Deus. Sabe que sua história pessoal é indissociável da história de seu povo e de sua família. Também Jesus, no futuro, teria plena consciência de sua missão, mantendo-se fiel a essa vocação diante de todos os obstáculos, abraçando a cruz como quem acolhe plenamente a vontade do Pai.
      Esta consciência do próprio destino (como sinônimo de missão e vocação) é que dá sentido à nossa vida. Chegar ao final da existência e reconhecer que recusamos nossa missão pode ser o vestibular do inferno... Ao contrário, quem segue o chamado de Deus poderá repetir as palavras de Jesus: “Não estou só, porque o Pai está comigo.” (Jo 16,32b) E esta experiência de amor não tem preço...
Orai sem cessar: “O Senhor me esconderá em sua tenda!” (Sl 27,5)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Nenhum comentário:

Postar um comentário