sexta-feira, 29 de março de 2013

PALAVRA DE VIDA


Graças às suas chagas... (Is 52,13-53, 12)
  
    Há uma relação direta entre nosso pecado e a Paixão de Cristo. Como rezamos no Credo de Niceia e Constantinopla, ele morreu “por nós” (em latim, pro nobis, isto é, “em nosso favor”, mas também “por causa de nós”). A montanha do Calvário foi acumulada com as rochas de nossos crimes.
      Nesta passagem de Isaías, temos o 4º Cântico do Servo de Yahweh, que se reveste de um traço excepcional: é a única passagem de toda a Escritura em que se fala de um sacrifício expiatório realizado com uma vítima humana. Por isso mesmo, autêntica antecipação da Paixão e Morte de Nosso Senhor.
      Ao contrário da pretensão de alguns exegetas, o “Servo de Yahweh” não é o povo de Israel em seu conjunto – afirma Urs von Balthasar -, pois não seria capaz de expiar o próprio pecado, quanto mais o pecado de toda a humanidade! Já o cristão, aos pés da cruz, conhece bem o seu nome. E reconhece em Jesus o único mediador, o pontífice (fabricante de pontes!) que une de novo o coração do Pai ao coração dos homens.
      Contemplando seu amoroso sacrifício, citado em Hb 10,12, escrevi o soneto “Uma só vez...

      Uma só vez Ele morreu por mim
      Qual vítima inocente na montanha:
      A inundação da Graça foi tamanha,
      Que o antigo sacrifício teve fim!
Uma só vez Ele se deu assim
Nas mãos odiosas de uma turba estranha,
E quanto mais a multidão se assanha,
Mais amoroso Ele renova o SIM...
      Se as mãos são perfuradas pelos cravos,
      O Sangue corre, a libertar escravos,
      Como um rio de vida para o mar...
E, lavando o pecado dos humanos,
Purifica os profundos oceanos
Do coração que, agora, pode amar...

Orai sem cessar: “Junto de vós, Senhor, me refugio!” (Sl 31,2)
Texto e poema de Antônio Carlos Santini, da Com. Católica Nova Aliança.

Nenhum comentário:

Postar um comentário