Vós que
estais sedentos... (Is 55,1-11)
Mas fixemo-nos na passagem de Isaías 55,
onde Deus nos convida a chegar até “as nascentes das águas”, a fonte primeira
do Amor, onde tudo é graça, tudo é dom. Nada a ver com as gnoses, onde se
pretendia conquistar a salvação como fruto de um “conhecimento” secreto e
reservado a poucos. Nada a ver com alguma espécie de atletismo espiritual, onde
só se salvam os super-homens...
Ao contrário, o convite é dirigido a
“todos que estais sedentos”: Deus conhece a sede do coração humano, a fome de
nossa natureza, que nenhum alimento deste mundo pode saciar. E os alimentos
dispostos no divino banquete – trigo, vinho e leite, alimentos típicos de uma
sociedade que se fixou na terra e a cultivou – não custam nada. As locuções
“sem dinheiro” e “sem pagar” acentuam o aspecto de dom gratuito, não merecido.
Nada que possa lembrar uma conquista do esforço humano, mas pura delicadeza de
um Deus que é Pai e alimenta seus filhos como as avezitas do céu o fazem com
seus filhotes.
O Deus da Aliança se apresenta ao povo
como um Deus que alimenta. E parece estranhar nossa vã inclinação de gastar
nossos bens na busca de alimentos que não saciam (v. 2). “Se me ouvis, comereis
excelentes manjares”, diz o Senhor (v.2b). A condição para participar do
banquete é uma atitude de escuta, que supõe a obediência e a união de corações.
E o v. 10 fará nova alusão à água: desta vez, a chuva, como imagem da ação
profunda da Palavra de Deus que, ouvida e acolhida, fertiliza o solo e o leva a
frutificar com a germinação das sementes.
Mais
tarde, Jesus clamaria em alta voz, junto às arcadas do Templo de Jerusalém:
“Quem tem sede, venha a mim e beba, e de seu íntimo jorrarão rios de água
viva!” (Jo 7,37-38).
Orai sem cessar: “Eis o
Deus que me salva!” (Sl 12,2)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade
Católica Nova Aliança.
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