O alimento
que permanece... (Jo 6,22-29)
Multiplicando o pão e os peixes,
Jesus alimentara uma multidão de 5000 pessoas. Querem fazê-lo rei. Ele se
retira para a solidão da montanha, pois sabia muito bem que seu Reino “não era
deste mundo” (cf. Jo 18,36). No amanhecer, quando a turba reencontra Jesus no
Lago de Tiberíades, ele traz à luz as intenções profundas do povo: vistes
milagres... ficastes saciados... E o Mestre aponta para outra direção: não
trabalhar em vão por um alimento que “passa” no tempo. Antes, empenhar-se pelo
alimento que permanece na eternidade.
Sei que são poucos, hoje, a falar em
eternidade. Em uma civilização do descartável, do one way, os
olhares e os corações se orientam para o imediato, o carpe diem,
aproveitar a vida, gozá-la intensamente e, de preferência, já! No entanto,
dentro de nosso corpo provisório pulsa uma alma imortal, cuja vida se estenderá
além da morte, além do tempo, mergulhando no eterno. E o novo “estado” de vida
(na eternidade) dependerá da forma como gastamos e vivemos este “tempo” breve,
efêmero como a erva dos campos, lembra a Escritura.
O pão material permite subsistir no
tempo. Terminada esta passagem pelo tempo, que alimento nos manterá na Vida?
Apenas um alimento espiritual que é dom do próprio Deus. Na verdade, em sua
misericórdia paterna, Deus antecipou para nós o Pão de vida eterna. A
Eucaristia. Por isso mesmo, Jesus Cristo nos fez uma promessa muito clara e
repetida mais de uma vez: “Eu sou o Pão de Vida... Eu sou o Pão vivo que desceu
do Céu. Se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que eu hei de
dar é a minha Carne pela vida do mundo”. (Jo 6,48.51.)
A Igreja canta o antigo hino
litúrgico:
“Eis o pão que os Anjos comem
Transformado em pão do homem.
Só os filhos o consomem:
Não seja lançado aos cães.
Vós que a
tudo sustentais,
Que aos
homens apascentais,
Fazei de
nós comensais,
Coerdeiros
imortais
Dos santos
concidadãos.”
Orai sem
cessar: “Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo!” (Sl 42,3)
Texto de
Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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