O
Espírito é quem dá vida... (Jo
6,60-69)
Quando professamos nossa fé com as
palavras do Credo de Niceia e Constantinopla, dizemos crer “no Espírito
Santo, Senhor que dá a vida”. Em latim, Dominum et vivificantem, Senhor
e fonte de vida.
De fato, o mesmo Espírito que
pairava sobre as águas (Gn 1), “chocando” o ovo da futura Criação, é o Espírito
que repousou sobre Jesus (Lc 4,18), preparando-o para sua missão, e o Espírito
de Pentecostes (At 2), que se fez alma e motor da Igreja. O “hálito” divino que
deu vida ao primeiro homem (Gn 2,7b) é o mesmo “sopro” que nos infunde a vida
de Jesus. Aliás, sem a ação pontual do Espírito Santo, invocado pelo sacerdote
na Santa Missa, não teríamos no pão o Corpo de Cristo, no vinho consagrado o
Sangue de Cristo.
Curiosamente, muitos fiéis não têm
consciência de que, comungando o Corpo e o Sangue de Cristo na Eucaristia,
comungam também o Espírito Santo (que é o Espírito de Jesus). Fruto direto da
comunhão é o “espírito de unidade”. O Papa João Paulo II escreveu recentemente:
“O dom de Cristo e de seu Espírito, que recebemos na comunhão eucarística,
realiza plena e abundantemente os anseios de unidade fraterna que vivem no
coração humano e ao mesmo tempo eleva esta experiência de fraternidade, que é a
participação na mesma mesa eucarística, a níveis que estão muito acima da mera
experiência de um banquete humano”. (Ecclesia de Eucharistia, 24.)
Assim, Jesus afirma que não podemos
tentar compreender de modo carnal o profundo mistério do dom de seu Corpo e
Sangue: “A carne não serve de nada, o Espírito é quem dá a vida”. E acrescenta: “As palavras que Eu vos disse
são Espírito (com inicial maiúscula no texto de São Jerônimo) e vida”.
Nunca será demais acentuar o
“realismo” da presença de Jesus nas espécies consagradas. Jesus não falava por
símbolos. Tanto que o texto grego original de S. João chega a usar o verbo “trógon”
(mastigar; cf. Jo 6,54.56-57-58) em lugar do verbo “phágein”
(comer). Essa distinção desaparece na Vulgata, em latim, que talvez tenha
estranhado o excesso de realismo...
Diante das palavras de Jesus, muitos
seguidores se afastam. Ele diz aos Doze: “Também quereis partir?” E a resposta
fulminante de Pedro: “A quem iríamos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!”
E nós? Que alternativa teríamos para Jesus, que deu a vida por nós e nos
alimenta na Eucaristia?
Orai
sem cessar: “Senhor, tu tens palavras de vida eterna!” (Jo 6,68)
Texto
de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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