Minhas
ovelhas me seguem... (Jo 10,27-30)
Desde o início da Igreja,
logo após Pentecostes, a religião dos cristãos foi um “seguimento” de Jesus.
Ser cristão era estar “no Caminho”, “caminhar” com o Ressuscitado.
Jesus manifesta neste Evangelho o divisor de águas entre
os discípulos e os adversários que o interpelam: “Vós não acreditais... Minhas
ovelhas ouvem a minha voz...” Claro que “ouvir” é mais que escutar,
inclui “obedecer”. A sabedoria espiritual se resume em obedecer à
vontade do Pai que o Filho nos revela. Ter um “coração ouvinte”, como o jovem Salomão
pediu a Deus (cf. 1Rs 3,9), é a prova da fidelidade, a marca do fiel.
Não é por acaso que o apóstolo Paulo se refere mais de
uma vez à “obediência da fé” (Rm 1,5; 16,26): quem crê, obedece. Isto é, a fé
em Jesus Cristo é exteriorizada concretamente em atos de fé. Uma fé abstrata,
que se confunde com sentimentos e aéreas intenções jamais praticadas, é uma fé
ilusória. Fé e compromisso com Jesus são inseparáveis.
Só para exemplificar: falando em nome de Cristo, o
Magistério da Igreja repete o ensinamento do Mestre e não aceita que o
matrimônio possa ser dissolvido. Ao “ouvir” este ensinamento, o “fiel” se
decide a agir, na prática, de acordo com a lição recebida. Está provada
praticamente a sua fé. Se, ao contrário, o (in)fiel argumenta, contradiz, busca
justificativas e, afinal, age de maneira diferente, sua desobediência manifesta
sua falta de fé.
No final do 4º Evangelho, depois de ter sabatinado a
Simão Pedro, perguntando-lhe por três vezes se o amava, Jesus ressuscitado
resume a missão do primeiro Papa em um breve e seco imperativo: “Segue-me!” (Jo
21,19b.) O último passo desse seguimento seria uma cruz, em Roma, na qual Pedro
mostraria seu amor e sua fé.
Seja qual for o nosso estado (leigo, religioso, ministro
ordenado), ele acarreta deveres: os deveres de estado. É impossível
seguir Jesus fora do cumprimento de nosso dever de estado. A mãe amamenta seu
bebê, o pai trabalha para sustentar a família, o estudante estuda, a
contemplativa adora, o paciente sofre. Se o amor transfigurar tudo isto,
seguimos a Jesus.
Tenho cumprido o meu dever de estado?
Orai sem cessar: “Jesus, eu quero
ouvir a tua voz!”
Texto de Antônio Carlos
Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Nenhum comentário:
Postar um comentário