domingo, 21 de abril de 2013

PALAVRA DE VIDA


Minhas ovelhas me seguem... (Jo 10,27-30)

            Desde o início da Igreja, logo após Pentecostes, a religião dos cristãos foi um “seguimento” de Jesus. Ser cristão era estar “no Caminho”, “caminhar” com o Ressuscitado.
            Jesus manifesta neste Evangelho o divisor de águas entre os discípulos e os adversários que o interpelam: “Vós não acreditais... Minhas ovelhas ouvem a minha voz...” Claro que “ouvir” é mais que escutar, inclui “obedecer”. A sabedoria espiritual se resume em obedecer à vontade do Pai que o Filho nos revela. Ter um “coração ouvinte”, como o jovem Salomão pediu a Deus (cf. 1Rs 3,9), é a prova da fidelidade, a marca do fiel.
            Não é por acaso que o apóstolo Paulo se refere mais de uma vez à “obediência da fé” (Rm 1,5; 16,26): quem crê, obedece. Isto é, a fé em Jesus Cristo é exteriorizada concretamente em atos de fé. Uma fé abstrata, que se confunde com sentimentos e aéreas intenções jamais praticadas, é uma fé ilusória. Fé e compromisso com Jesus são inseparáveis.
            Só para exemplificar: falando em nome de Cristo, o Magistério da Igreja repete o ensinamento do Mestre e não aceita que o matrimônio possa ser dissolvido. Ao “ouvir” este ensinamento, o “fiel” se decide a agir, na prática, de acordo com a lição recebida. Está provada praticamente a sua fé. Se, ao contrário, o (in)fiel argumenta, contradiz, busca justificativas e, afinal, age de maneira diferente, sua desobediência manifesta sua falta de fé.
            No final do 4º Evangelho, depois de ter sabatinado a Simão Pedro, perguntando-lhe por três vezes se o amava, Jesus ressuscitado resume a missão do primeiro Papa em um breve e seco imperativo: “Segue-me!” (Jo 21,19b.) O último passo desse seguimento seria uma cruz, em Roma, na qual Pedro mostraria seu amor e sua fé.
            Seja qual for o nosso estado (leigo, religioso, ministro ordenado), ele acarreta deveres: os deveres de estado. É impossível seguir Jesus fora do cumprimento de nosso dever de estado. A mãe amamenta seu bebê, o pai trabalha para sustentar a família, o estudante estuda, a contemplativa adora, o paciente sofre. Se o amor transfigurar tudo isto, seguimos a Jesus.
            Tenho cumprido o meu dever de estado?

Orai sem cessar: “Jesus, eu quero ouvir a tua voz!”
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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