Quem olha para trás... (Lc 9,57-62)
Nós
somos humanos. No entusiasmo do primeiro amor, assumimos o compromisso de
evangelizar. A pulsação que vibra em nós, queremos que muitos outros a
experimentem em sua vida.
Mas
continuamos humanos. Logo advêm as barreiras, dificuldades, incompreensões. Nossos
irmãos de comunidade também não demoram a manifestar as fraquezas e defeitos de
sua própria humanidade. É quando a decepção nos vem rondar e somos tentados a
desanimar e abandonar tudo. A imagem empregada por Jesus define bem a situação:
pôr a mão no arado e... olhar para trás...
Quando
lemos a vida dos santos, descobrimos com surpresa que todos eles passaram por
essa encruzilhada. E não era para menos. São João Bosco sente o chamado para
ampliar a ação de sua Congregação para outros países, mas enfrenta a oposição
direta de seu bispo. Só lhe resta obedecer. São José de Calasanz é caluniado
gravemente por dois de seus sacerdotes. Roma manda fechar a sua Obra. O Santo
obedece e morre. Somente após sua morte as obras das Escolas Pias seriam
reabertas e se espalhariam pelo mundo. Também São Francisco de Assis vê sua
Ordem dominada pelos “doutores” e é praticamente aposentado nas montanhas
geladas.
Certamente,
todos eles foram perseverantes e, mesmo com hesitações, não abandonaram o seu
arado. Mas sabemos que sofrimentos íntimos precisaram enfrentar! É assim que
acontece quando os casais enfrentam as dificuldades do casamento e são tentados
a romper seu juramento. Acontece, ainda, com os estudantes que se sentem
incapazes de atender às exigências dos professores. Acontece igualmente com os
educadores e os profissionais da saúde que trabalham sem as mínimas condições
materiais. Acontece, enfim, com os doentes crônicos ou já em fase terminal,
normalmente rondados pelos terríveis fantasmas do desespero.
A
todos eles, Jesus está dizendo: “Não olhe para trás! Você não está sozinho!
Abrace firme a sua cruz e sinta a minha presença do seu lado... Estaremos
juntos até o fim...”
O
Papa João Paulo II foi até o fim. Quando sugeriram que deixasse a Cátedra de
Pedro, devido aos graves problemas de saúde, ele disse: “O papa não pede demissão.”
E o apóstolo Paulo escreveu: “Consciente de não ter ainda conquistado a meta,
só procuro isto: prescindindo do passado e atirando-me ao que resta para
frente, persigo o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em
Jesus Cristo.” (Fl 3,13-14.)
Orai sem cessar: “O
Senhor não há de abandonar a sua herança.” (Sl 94,14)
Texto de Antônio Carlos Santini,
da Comunidade Católica Nova Aliança.

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