1º/10/2015
– Cordeiros no meio de lobos... (Lc 10,1-12)
O
lobo é um animal carnívoro. Um predador. Movido pelo instinto, ataca e destrói.
O cordeiro é um herbívoro. Seu traço dominante é a mansidão. De espírito
gregário, vive em grupo, pacificamente.
Jesus
Cristo não podia ter escolhido melhor imagem para significar a missão daqueles
que foram encarregados de anunciar a paz. O Messias que Isaías descreveu
profeticamente como o cordeiro que se deixa conduzir ao matadouro, ovelha muda
que se deixa tosquiar (Is 53), não podia tornar-se um chefe de quadrilha ou um
general à frente de uma milícia de ferozes conquistadores. O anúncio da Boa
Nova não é campanha de conquista, mas proposta de paz.
A
sociedade humana não parece ter compreendido bem as intenções de Jesus. Nossas
bandeiras e brasões mostram águias e leões, aves de rapina e outros símbolos de
força, poder e destruição. A polícia brasileira, que deveria ser por vocação
uma organização que se aproximasse do povo para prestar serviços, adota
emblemas com caveiras, serpentes e punhais, inspirando medo e repulsa. Nós,
Igreja, não podemos ser assim...
Aliás,
a própria história da Igreja e sua legião de mártires confirmam que Jesus tinha
plena razão ao falar de cordeiros entre lobos. Desde a lapidação do diácono
Estevão e a execução de Tiago (cf. At 7,58; 12,2), um rio de sangue correu dos
corpos dos cristãos perseguidos e torturados. E era com alegria que eles se
abandonavam aos carrascos, pedindo a Deus que não lhes imputasse tal crime.
Depois
disso, como poderíamos assumir uma posição vitimista, infantil, e chorar
lágrimas de esguicho porque a Igreja e seus membros sofrem calúnias e
perseguição? O próprio Senhor nos avisou que seria assim. Ele nunca nos
prometeu rosas, mas foi o primeiro a aceitar os espinhos...
Um
de nossos símbolos litúrgicos é o Cordeiro imolado, que ergue o estandarte da
vitória. Mas ele traz as marcas de sua Paixão, pois não há ressurreição sem
morte. Pena que nossa visão da morte de Jesus no Calvário deixe na sombra sua
força, sua coragem, sua ousadia! É bem mais fácil sacar da espada e cortar
orelhas... Difícil é seguir sempre adiante, como Cristo, para cumprir a nossa
missão...
Jesus
sabe disso, caminha conosco e nos oferece a sua graça.
Orai sem cessar: “Minha cidadela é Deus, o Deus que me
é fiel!” (Sl 59,18)
Texto de Antônio Carlos Santini, da
Comunidade Católica Nova Aliança.
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