23/10/2015
– Avaliar o tempo presente... (Lc
12,54-59)
Ora, a presença do Filho de Deus
encarnado, suas palavras e seus gestos deveriam ter sido “sinais” mais que
suficientes para que seus contemporâneos fizessem penitência e acolhessem o
Messias prometido.
Neste Evangelho, não sem uma dose de
ironia, Jesus cobra de seus opositores, tão ágeis em ler os sinais das
variações climáticas, relacionando as nuvens e a chuva, a mesma perspicácia em
perceber os “sinais dos tempos presente”.
São João Crisóstomo [344-407 d.C.]
põe estas palavras na boca de Jesus:
“Vós sabeis julgar o aspecto do céu
e não podeis conhecer os sinais dos tempos? No céu, vós descobris sinais que
pressagiam a tempestade e sinais que deixam prever a calma. Quando vistes os
sinais da tempestade, já não esperais pela calmaria. E já não temeis a
tempestade quando é a calma que vos é anunciada. Pois assim devíeis pensar a
meu respeito.
Um é o tempo do advento presente,
outro será o tempo da Vinda futura. Hoje, os sinais que eu realizo sobre a
terra são indispensáveis; quanto aos sinais que se realizarão no céu, estarão
reservados para o advento futuro. Agora, eu vim como médico; então eu virei
como juiz. Agora, eu venho procurar aqueles que se desgarraram; então eu virei
pedir-lhes conta de seus atos.
Eis por que eu vim sem fragor; mas
então eu virei com o mais chocante aparato, retirarei o céu, obscurecerei o
sol, e a lua já não dará sua luz. Então as forças do céu serão abaladas; então
minha chegada será instantânea, semelhante ao relâmpago, minha presença
atingirá de súbito todos os olhares. [...]
Que sinal ireis comparar à remissão
dos pecados? Que há de mais potente que chamar os mortos para a vida, expulsar
os demônios, restaurar o corpo humano e todas as coisas?”
E foi assim que Jesus se negou a dar
qualquer sinal, exceto o “sinal de Jonas” – sua própria ressurreição ao
terceiro dia.
Hoje, também nós podemos dispensar
outros sinais. Basta-nos acompanhar o noticiário da TV e já teremos suficientes
propostas para mudar de vida e buscar as coisas do alto. De preferência, antes
da chegada do Juiz...
Orai sem
cessar: “Maran atha! Vem, Senhor!”
(1Cor 16,22)
Texto de
Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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