24/10/2015
– Ainda este ano... (Lc 13,1-9)
Pois é. Já são três anos de
esterilidade. Por três vezes seguidas, a expectativa do Patrão foi em vão. O
nome da figueira? Decepção. Que fará o Senhor da terra?
Ora, você não conhece esse Senhor...
Ele vai esticar o tempo da paciência. Vai distender o ano da misericórdia. Vai
dar mais uma oportunidade à arvore estéril. E ela dará frutos? O Evangelho
responde: “talvez”...
Conheço muita gente que não fica
satisfeita com um simples “talvez”. Este advérbio expressa um possibilidade,
mas também uma dúvida. E não há muita gente disposta a apostar em situações
duvidosas.
Pois este Patrão aceita esperar mais
um ano. Ele sempre está disposto a apostar em nós. Nós, quem? Ora, esta
figueira que eu sou, e que tem negado frutos, e que mereceria a visita de um
machado...
Estamos falando de... misericórdia.
Nosso Deus é o Deus da paciência e da misericórdia. Ele não é muito bom em
contabilidade. Não entende de custo e benefício. Em sua estranha Bolsa de
Valores, ele aposta sempre nas ações menos promissoras, tanto que entre os Doze
escolhidos estava o seu futuro traidor...
Sei que muitos pregadores darão
ênfase ao final desta perícope, acentuando a ameaça erguida sobre a cabeça do
pecador: se não te convertes, serás cortado! É a permanente tentação de
apresentar a imagem de Deus segundo as medidas humanas, eivadas de ódio e
rancor, propícias ao troco e à vingança.
Sim, nós temos acreditado mais no
medo que na esperança. Temos investido mais nas ameaças que na motivação. E o
pior de tudo é imaginar que Deus imite nosso comportamento temperado com fel e
adrenalina... As vísceras de nosso Deus (que a Bíblia hebraica chama de “rahamim”) são vísceras de mãe. Um Deus
movido pelo amor, compassivo diante do erro, sempre propenso ao perdão.
Se o Juiz demora a voltar e o
Apocalipse não se apresenta, agora sabemos por quê. O Amor insiste em esperar
por nós...
Orai sem
cessar: “O Senhor é bom, eterna é a sua misericórdia!” (Sl 100,5)
Texto de
Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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