domingo, 21 de agosto de 2016

PALAVRA DE VIDA

 Mãe do meu Senhor... (Lc 1,39-56)
            Na solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria aos céus, elevada e assumida por Deus em corpo e alma, a Igreja atualiza antiga tradição que remonta ao Séc. VI, quando a liturgia bizantina já celebrava a festa da “Dormição da Mãe de Deus” (em grego, “koimésis tes Theotokou”). Os ícones orientais mostram os apóstolos reunidos em torno do ataúde de Maria, enquanto, em segundo plano, Jesus Cristo abraça a alma da Virgem Mãe, sob a forma de uma criança de colo. No alto, cercada de anjos, Maria, viva, sobre aos céus.

            Desde o Concílio de Éfeso (431 d.C.), ao condenar a heresia de Nestório, a Igreja reconheceu a Virgem Maria como “Mãe de Deus” – “não porque o Verbo de Deus tirou dela sua natureza divina, mas porque é dela que ele tem o corpo sagrado dotado de uma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne”. Toda a grandeza da Virgem Maria deriva de sua missão única, ao ser escolhida por Deus para gerar na carne o Salvador.
            Como evangelho para esta liturgia, a Igreja escolheu o episódio da Visitação a Isabel. Esta, cheia do Espírito Santo, recebe Maria e pergunta: “De onde me vem esta honra de vir a mim a Mãe do meu Senhor?” Ora, o Senhor de Isabel, filha do povo de Israel, era Adonai, o único Deus. Se a Igreja lhe dá o título de Mãe de Deus, reconhece seu papel e sua missão insuperável na encarnação da Segunda Pessoa da Trindade, por obra do Espírito Santo.
            De fato, a Bem-aventurada Virgem Maria é a ponte (S. Bernardo de Claraval usa o termo “aqueduto”) pela qual Deus se uniu à humanidade. Jesus Cristo, ao mesmo tempo Deus verdadeiro e Homem verdadeiro, unindo duas naturezas – humana e divina – em sua única Pessoa, realiza em si mesmo a antiga promessa de uma Aliança entre Deus e os homens. A partir de sua encarnação, a família humana entrou em consórcio com a Família divina. Assim, o Pai do Filho é nosso Pai. O Filho é nosso irmão. O Espírito do Pai e do Filho habita em nós.
            E Maria é a Mulher especial, preparada por Deus para a insigne missão. Como espelho e modelo da Igreja, a Mãe de Deus nos ensina e nos anima a ser ponte entre Deus e a humanidade, gerando Cristo para o mundo de hoje e estendendo pontes entre Ele e todos os povos e nações.
            É depois disso que ela exclama: “O Senhor fez em mim maravilhas!”
Orai sem cessar: “Bendito é o fruto do teu ventre, Jesus!” (Lc 1,42)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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