A obra de Deus... (Jo
6,22-29)
Após
a multiplicação dos pães, sinal antecipado da futura Eucaristia, foi vã a
tentativa de Jesus ao se isolar, pretendendo um pouco de sossego com seus
discípulos. A multidão logo achou uma forma de encontrá-lo. Mas Jesus sabe de
seu verdadeiro interesse: eles julgavam ter à sua disposição um padeiro que
fazia mágicas. Nada mais cômodo! É outro, porém, o objetivo do Mestre.
Para
Dom Claude Rault, Bispo do Saara, o que importa para Jesus “não é mais
distribuir o pão, mas pôr aquela multidão a trabalhar, comprometida com um
trabalho que dá o verdadeiro alimento: o trabalho da Fé. De fato, o próprio
Deus permanece em operação no mundo. Deus trabalha. Ele está incessantemente em
obras. “Meu Pai trabalha sempre, e eu também trabalho” (Jo 5,17) – afirmou
Jesus, quando o acusaram de ter curado em um dia de sábado”.
“Nós
precisamos reconhecer – prossegue Dom Rault – que Deus está operando na sua
Criação, no coração dos homens, e que Ele tem necessidade de nós! Ele é o
artesão do universo e de nossas existências humanas. E seu trabalho é um
trabalho que dura a vida inteira, ele não cessa de nos gerar para a vida. Deus
quer que o homem viva. Ele quer que eu viva. E a primeira forma de eu me
associar a esta obra de Deus é crer na vida e me comprometer no terreno da
vida. Trabalhar nas obras de Deus é crer na vida e, ao mesmo tempo, engajar-me
para salvaguardar esta vida.”
De
fato, Deus poderia fazer tudo sozinho. Especialmente naquilo que é exterior ao
homem. Depois, porém, de nos criar livres à sua imagem e semelhança, Ele passa
a contratar operários como colaboradores para sua Criação. E Ele começa por
aquilo que é mais precioso na natureza, diz Dom Claude Rault: a pessoa humana.
“O
discípulo de Jesus é um parceiro de Deus em sua obra de Criação e de renovação
da pessoa em Jesus Cristo. Desde então, crer não é mais uma adesão puramente
intelectual e vaporosa, piedosamente recitada em nosso Credo dominical. É um
engajamento de todo o ser, de todo o meu ser para trabalhar com Deus para que
nossa Terra viva! Aí está o que é primariamente um “ser eucarístico”: uma
pessoa habitada pela vida. Celebrar a Eucaristia é celebrar o Deus do universo,
o Deus da humanidade, e nós nos tornarmos os seus parceiros.”
Na
Eucaristia, recebemos o Pão de vida. É hora de nos questionarmos a respeito da
vida que ali recebemos e que devia ser transmitida para o mundo. Se não fazemos
este trabalho, estamos recusando a obra de Deus...
Orai sem cessar: “O pão que
eu darei é minha carne, pela vida do mundo...” (Jo 6,51b)
Texto de Antônio Carlos Santini,
da Comunidade Católica Nova Aliança.

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