Nunca terá sede! (Jo 6,30-35)
Jesus
lembra os hebreus do passado, que caminharam errantes pelo deserto por 40 anos.
Quando tiveram fome, foram alimentados pelo maná que Deus mandava do céu. Mas
comeram e morreram. A seguir, Jesus se dirige aos hebreus de seu tempo (e
também a nós!), fazendo uma preciosa promessa: “Aquele que vem a mim... quem
crê em mim... não terá fome... não terá sede...”
Em
um livro de grande valor: “Deus em Questão” (Ed. Ultimato, Viçosa, MG,
2005), Armand M. Nicholi Jr. confronta dois ateus: o escritor irlandês C. S.
Lewis e o psiquiatra austríaco Sigmund Freud. O primeiro ateu foi agraciado com
uma experiência de Deus que o curou das marcas do passado e mergulhou sua vida
em uma imprevista alegria. O segundo, apesar de graves interrogações sobre Deus
e sobre o seu próprio ateísmo, mostrou-se empedernido e acabaria sua vida sem
fé, sem amigos e sem paz. De fato, sua sede interior jamais foi aplacada.
Vejo
na vida de C. S. Lewis o cumprimento da promessa de Jesus: a sede do coração
humano só pode ser saciada por Cristo! Após sua descoberta de Deus, seus
ressentimentos foram superados, a depressão foi curada, sua capacidade de
trabalho aumentou e ele escreveu suas principais obras. Antes deprimido e
pessimista, Lewis descobriu a alegria de viver entre amigos e partilhar a mesma
fé. A experiência do amor de Deus o levaria a amar o próximo. Conforme ele
escreveu, “Deus reserva para nós a felicidade definitiva e a segurança que
todos nós desejamos”.
Em
nossa sociedade, não há muita gente feliz. A sede do coração humano faz chorar
e gemer nas madrugadas insones. Muitos tentam amenizar tal sede com drogas e
prazer, álcool e trabalho, viagens e posses. Mas a sede do coração humano é muito
mais profunda. Brota do íntimo do ser. A experiência diária demonstra que nada
deste mundo pode amenizar o seu ardor.
Bem-aventurados
aqueles que se voltam para Jesus Cristo e em suas mãos se abandonam. Neles se
cumpre infalivelmente a promessa do Senhor: “Se alguém tiver sede, venha a mim
e beba. Quem crê em mim, do seu interior manarão rios de água viva.” (Jo 7,37-38.)
E
nós? Já nos voltamos para a fonte de água viva? Ou ainda bebemos a água lodosa
de poços envenenados?
Orai sem cessar: “Ó
Deus, todas as minhas fontes se acham em ti!” (Sl 87,7)
Texto de Antônio Carlos Santini,
da Comunidade Católica Nova Aliança.

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