terça-feira, 3 de abril de 2018

PALAVRA DE VIDA


Não sei onde o puseram... (Jo 20,11-18)
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      No túmulo vazio de Jesus, Maria chora porque não encontrou o cadáver de seu Amado. Diante da inquirição dos anjos, ela manifesta sua decepção: “Não sei onde o puseram...”

               Os dois discípulos já se retiraram, mas Maria Madalena permanece em pranto junto ao sepulcro, devastada pela ausência daquele que ela buscava. Como observa Hébert Roux, “já não é a informação impessoal que ela levara aos outros, é o grito de uma ternura humana muito pura, mas bem feminina, que o pensamento da ressurreição não fora suficiente para serenar: se, ressuscitado, Jesus devia permanecer separado, ela veria os próprios anjos apenas como ladrões”.
               Sem dúvida, é como resposta a esse profundo sentimento de ausência que Jesus acaba por se manifestar a Madalena, pois não se deve deixar esperando um coração que ama. E quando o nome dela – Maria! – é pronunciado com aquela entonação que apenas Jesus era capaz de pronunciar, uma onde de júbilo irrompe em seu coração e desfaz toda a angústia. Maria se deixa inundar por essa presença, a mesma presença que ela, agora, pode transmitir aos discípulos enlutados.
               Mas é de outra coisa que devo falar. A experiência inicial de Maria Madalena é a mesma que se experimenta hoje em vários setores da sociedade e da Igreja. Também ali cabe a frase de Maria: “Não sabemos onde o puseram...” Nas ruas e nas praças, mas também nos púlpitos e nos conventos, um grande número de pessoas vive, age e fala como se tivessem perdido a Jesus como seu referencial.
               Isto explica, por exemplo, que tantos sermões e homilias tenham como núcleo os problemas estruturais da vida econômica, os fracassos da política, questões ambientais e sociais, sem que a pessoa de Jesus Cristo seja apresentada como a única Luz capaz de dissipar tantas trevas.
               Claro, ninguém dá o que não tem... Sem uma experiência pessoal do Ressuscitado, sem um encontro como aquele que Madalena experimentou, nós ainda teremos os olhos fixos nos túmulos de uma época moribunda, sem o entusiasmo daquela que é portadora da visão e das palavras do Senhor.
               Onde pusemos Jesus? Ele se faz presente em nossos lares? Ele visita nossos escritórios e oficinas? Ele aparece nos cânticos de nossas crianças? Ele ilumina nossos sonhos?
               Onde será que escondemos Jesus Cristo?
Orai sem cessar: “Volta-te, Senhor, até quando?” (Sl 90,13)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança

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