Não sei onde o puseram... (Jo 20,11-18)
No
túmulo vazio de Jesus, Maria chora porque não encontrou o cadáver de seu Amado.
Diante da inquirição dos anjos, ela manifesta sua decepção: “Não sei onde o
puseram...”
Os
dois discípulos já se retiraram, mas Maria Madalena permanece em pranto junto
ao sepulcro, devastada pela ausência daquele que ela buscava. Como observa
Hébert Roux, “já não é a informação impessoal que ela levara aos outros, é o
grito de uma ternura humana muito pura, mas bem feminina, que o pensamento da
ressurreição não fora suficiente para serenar: se, ressuscitado, Jesus devia
permanecer separado, ela veria os próprios anjos apenas como ladrões”.
Sem
dúvida, é como resposta a esse profundo sentimento de ausência que Jesus acaba
por se manifestar a Madalena, pois não se deve deixar esperando um coração que
ama. E quando o nome dela – Maria! – é pronunciado com aquela entonação que
apenas Jesus era capaz de pronunciar, uma onde de júbilo irrompe em seu coração
e desfaz toda a angústia. Maria se deixa inundar por essa presença, a mesma
presença que ela, agora, pode transmitir aos discípulos enlutados.
Mas
é de outra coisa que devo falar. A experiência inicial de Maria Madalena é a
mesma que se experimenta hoje em vários setores da sociedade e da Igreja.
Também ali cabe a frase de Maria: “Não sabemos onde o puseram...” Nas ruas e
nas praças, mas também nos púlpitos e nos conventos, um grande número de
pessoas vive, age e fala como se tivessem perdido a Jesus como seu referencial.
Isto
explica, por exemplo, que tantos sermões e homilias tenham como núcleo os
problemas estruturais da vida econômica, os fracassos da política, questões
ambientais e sociais, sem que a pessoa de Jesus Cristo seja apresentada como a
única Luz capaz de dissipar tantas trevas.
Claro,
ninguém dá o que não tem... Sem uma experiência pessoal do Ressuscitado, sem um
encontro como aquele que Madalena experimentou, nós ainda teremos os olhos
fixos nos túmulos de uma época moribunda, sem o entusiasmo daquela que é
portadora da visão e das palavras do Senhor.
Onde
pusemos Jesus? Ele se faz presente em nossos lares? Ele visita nossos
escritórios e oficinas? Ele aparece nos cânticos de nossas crianças? Ele
ilumina nossos sonhos?
Onde
será que escondemos Jesus Cristo?
Orai sem cessar: “Volta-te,
Senhor, até quando?” (Sl 90,13)
Texto de Antônio Carlos Santini,
da Comunidade Católica Nova Aliança

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