Conversando pelo caminho... (Lc
24,13-35)
Não
é à toa que Jesus se apresentou a nós como “o Caminho”... Foi bem no meio de
uma caminhada que muita gente teve sua experiência definitiva de Deus. Desde o
Êxodo de Israel até a queda de Saulo na estrada de Damasco, o Senhor marcava
encontros no meio do caminho.
Este
comovente Evangelho – exclusivo de São Lucas, e tendo o discípulo Cléofas como a provável fonte – relata a
experiência inesquecível de dois discípulos estrada a fora. Dou a palavra a Fr.
Marie-Augustin, OP, do convento de Estrasburgo, França, que fala da necessidade
de “ouvir o caminho”:
“Eles
achavam que já tinham visto tudo, tinham compreendido tudo, mas regressavam
completamente decepcionados. A estrada era pesada e tórrida, cansativa e
poeirenta... e, além disso, havia a penosa recordação dos três últimos dias,
que tinham visto morrer na ignomínia o seu amigo e mestre. Mas era preciso
voltar para casa depois de terem celebrado a Páscoa.
E
retomar a estrada. Eles não sabiam que aquele caminheiro, esse desconhecido que
se tornara companheiro iria revelar para eles um outro itinerário: o caminho da
Palavra de Deus que caminhava através de séculos da humanidade até suas almas,
até seus corações subitamente abrasados por essa chama ardente. Eles pensavam
afastar-se depois de terem perdido tudo, mas é Deus quem se aproxima deles,
preparando-se, por meio de seu Verbo, para lhes devolver a plena alegria. Mas anoitece. Uma mesa. O pão...
Um
vivo lampejo de luz para lhes revelar o braseiro que, neles e nEle, ardera o
dia inteiro. Então, movidos por esse fogo, a estrada noturna é logo devorada:
agora eles a conhecem! É a estrada dos passos de Deus no coração do homem: a
cada pulsação, ele bate à porta, ele nos fala com as palavras que tantas gerações
já ouviram, palavra de Deus nas palavras dos homens.
Este
caminho é a palavra de Jesus que se faz teu companheiro. Tu o escutas? Escuta a estrada que te chama! Torna
tua, hoje, a oração dos escoteiros estradeiros, que começa assim: ‘Senhor
Jesus, que vos ofereceis a nós como a Estrada viva toda irradiada pela luz do
alto, dignai-vos juntar-vos a nós no caminho da Vida, assim como o fizestes
outrora para os caminheiros de Emaús...”
Caminhar,
sem nunca se cansar. Algum dia, numa curva da estrada, num pôr de sol
imprevisto, o encontro acontecerá...
Orai sem cessar: “Mostra-me,
Senhor, o teu caminho...” (Sl
27,11)
Texto de Antônio Carlos Santini,
da Comunidade Católica Nova Aliança.
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