Foi elevado ao céu... (Mc 16,15-20)
A
ascensão de Jesus ao céu constitui a penúltima etapa de sua glorificação,
enquanto esperamos pela derradeira: sua Vinda como juiz dos vivos e dos mortos.
E quando o Senhor volta ao Pai, os discípulos se prostram em adoração,
reconhecendo a divindade de seu Mestre.
Se
Jesus, ao fim de sua vida, fosse sepultado e permanecesse no ventre da terra,
hoje nós o recordaríamos, talvez, como um sábio do Oriente, um agitador social,
uma vítima dos poderosos, um homem com poderes especiais. Apenas isto. O fato,
porém, de ressuscitar, trazendo em seu corpo as marcas da Paixão, e enfim
elevar-se diante dos olhos de todos e voltar ao seio da Trindade, é o
testemunho definitivo de sua filiação divina.
Conforme
ensina o “Catecismo da Igreja Católica”, o corpo de Jesus Cristo “foi
glorificado desde o instante de sua Ressurreição, como provam as propriedades
novas e sobrenaturais de que desfruta a partir de agora em caráter permanente”.
“A última aparição de Jesus termina com a entrada irreversível de sua
humanidade na glória divina, simbolizada pela nuvem e pelo céu (cf. At 1,9; Lc
9,34-35; 24,51).”
Em
seu diálogo noturno com Nicodemos (cf. Jo 3,13), Jesus de certa forma
antecipara a notícia de sua ascensão: “Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele
que desceu do céu, o Filho do Homem”. Em discussão com seus adversários, Ele se
referiu à futura “subida” de volta ao Pai: “Por pouco tempo ainda estou
convosco; depois vou para aquele que me enviou. Vós me procurareis e não me
encontrareis”. (Jo 7,33-34)
Natural,
precisamos recorrer à linguagem humana – sempre limitada – para descrever as
realidades supra-humanas. Por isso falamos em subir, céu, nuvem. Apesar de
nossas imagens infantis, o “céu” não é um lugar, uma topografia onde se acham
seres, pessoas, objetos. O “céu” é o seio do Pai. Subir ao céu é regressar à
Fonte de onde o Filho viera.
Agora,
Cristo está sentado à direita do Pai. O Catecismo cita S. João Damasceno, que
traduz a expressão “direita do Pai” como a glória e a honra da divindade, onde
aquele que existia como Filho de Deus antes de todos os séculos como Deus e
consubstancial ao Pai, sentou-se corporalmente depois de encarnar-se e de sua
carne ser glorificada. (CIC, 663)
Orai sem cessar: “Se eu subir
aos céus, tu aí estás...” (Sl 139,8)
Texto de Antônio Carlos Santini, da
Comunidade Católica Nova Aliança.
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