Também perseguirão a
vós... (Jo 15,18-21)
Se nós fôssemos “do
mundo”, garante-nos Jesus, seríamos certamente apreciados e valorizados. Quem
vê televisão ou acompanha o noticiário esportivo pode confirmar isto. Dinheiro,
fama e simpatia para os “ídolos” da tela e das arenas.
Mas não somos do mundo, somos de Cristo. E
Cristo foi odiado. Incômodo, incapaz de pactuar com a mentira e o pecado, foi
logo “eliminado”. O ícone bizantino da Crucifixão mostra Jesus na cruz. No
fundo, veem-se duas muralhas: a do Templo e a da cidade. Isto mostra a dupla
“excomunhão”, o duplo anátema sofrido por Jesus: excluído do espaço religioso e
excluído do espaço social. Mais uma vez, “não havia lugar para ele”...
Pode ser um “dever
de casa” ir folheando as páginas do Evangelho e anotar os sinais do ódio contra
Jesus: o Rei Herodes tenta matá-lo ainda bebê: (Mt 2,16); seus conterrâneos
espumam de raiva e querem lançá-lo do alto do monte (Lc 4,28-29); armadilhas
doutrinárias contra Jesus (Jo 8,6); arapucas políticas (Mc 12,13ss); tentativas
de lapidação (Jo 10,31); a decisão oficial de levá-lo à morte (Jo 11,49-50) e,
enfim, a traição de Judas (Mc 14,10-11).
Muitos de nós temos
sofrido perseguição. Eu, pessoalmente, fui preso em 1968, em Volta Redonda, RJ,
por ocasião do Ato Institucional nº 5, em consequência da crise entre a Igreja
local e o Exército. Mas outros cristãos, leigos e padres, chegaram a ser torturados
e mortos devido às posições que haviam tomado a partir de sua fé.
Jesus anunciara que seria assim. Só que, na
hora do aperto, quando nos chamam de carola ou rato-de-sacristia, quando o
marido pergunta à esposa se ela não quer levar o colchão para a sacristia,
quando os colegas de trabalho jogam a sua Bíblia no cesto de lixo (aconteceu
com um amigo nosso!), aí nós ficamos chateados... Vejam só o que fizeram
comigo, um cristão tão fiel!!! E nos fazemos de vítimas, mostrando que
esperávamos algum tipo de prêmio ou retribuição por nossa fé.
No fundo, é uma
infantilidade. Os primeiros catecúmenos, quando pediam o Batismo cristão,
sabiam que estavam assinando o seu atestado de óbito. Logo, logo estariam
enfrentando o carrasco ou os leões do Coliseu. Nós, pós-modernos, imaginamos
que a certidão de batismo é a nossa inscrição para o Prêmio Nobel da Paz. Por
isso nunca estamos dispostos a sofrer as eventuais perseguições sem crises
hepáticas...
Jesus Cristo
sofreu. Sua Mãe, a Senhora das Dores, também sofreu. Por que nós não deveríamos
sofrer?
Orai sem cessar: “Só
em Deus repousa a minha alma!” (Sl
62,2)
Texto
de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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