Permanecei no meu amor! (Jo
15,9-17)
Todo
amor verdadeiro traz consigo uma exigência de estabilidade. Como a ave marinha
busca pelo rochedo onde descansará, assim o amor sai da pessoa amante à procura
da pessoa amada. Amor: movimento em busca de descanso. Amor: dinamismo em busca
de equilíbrio...
O
verbo “permanecer” [que Jesus repete 9 vezes em 4 versículos – cf. Jo 15,4-7] é
formado de um prefixo “per” [= por completo, totalmente] e do verbo
latino “manere” (do qual deriva o substantivo “mansão”, o lugar de
repouso, a casa da família). Assim, permanecer é ficar em definitivo, sem
mudanças e transferências, como quem encontrou seu espaço “permanente”, seu
porto de chegada.
Jesus
quer permanecer em nós. Por iniciativa dele, jamais nos separaríamos. A única
condição para essa permanência é que nós mesmos, usando de nossa liberdade
espiritualizada pelo Batismo, jamais interrompamos essa amizade tão íntima.
Apenas um ato de volição de nossa parte, recusando o amor e preferindo o mal,
pode amputar-nos de seu tronco vital, como ramos decepados da Videira
verdadeira.
Vivemos
um tempo de coisas provisórias. Objetos descartáveis. No lar de nossos avós, a
cristaleira e a velha eletrola eram incorporados em definitivo ao ambiente
caseiro. Também as relações eram estáveis, segundo o juramento feito “até que a
morte nos separe”. Hoje, assalta-nos uma inquietação interior que leva a
quebrar juramentos, abandonar projetos e rejeitar missões assumidas de forma
solene. Já não sabemos “permanecer”...
Isto explica
– ao menos em parte – a “mobilidade religiosa” que faz os fiéis saltarem de
Igreja em Igreja, de seita em seita, de filosofia em filosofia, como miquinhos
no arvoredo. Em pouco tempo se cansam do novo galho e partem para outra
aventura. Assim, não deixam maturar relações profundas, não criam raízes, não
esperam pelo tempo da colheita.
Neste
Evangelho, Jesus nos convida a permanecer no seu amor. “Manete in dilectione
mea” – onde não se lê “amor” (mero sentimento), mas “dileção” (amor
dedicado, diligente e, se preciso for, amor sofrido). Trata-se daquele amor que
foi provado pela cruz, pelas crises do casamento, pelas tempestades da vida,
pelas tentações do Maligno e, se necessário, pelo salto no escuro.
Somos
todos chamados a um amor de eternidade. Um amor mais forte do que a morte (cf.
Ct 8,6).
Orai sem cessar: “O
Senhor me esconde no seu abrigo.” (Sl 27,5)
Texto de Antônio Carlos Santini, da
Comunidade Católica Nova Aliança.
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