Quando vier o Paráclito... (Jo 15,26 – 16,4a)
Esta
frase de Jesus é uma seta arremessada para o futuro. Desde então, sua Igreja
viverá sempre como um arco tenso apontado para o “pleroma”, quando o Universo
inteiro estará repleto da presença de Deus, sem nenhuma sombra do erro e do
mal.
Sem
dúvida, Jesus se refere de modo especial à próxima vinda do Espírito Santo, na
manhã de Pentecostes, com vento e fogo (cf. At 2), para dar à primeira
comunidade cristã o “poder” (cf. At 1,8) que lhe permitirá cumprir sua missão
evangelizadora. Basta folhear as páginas do livro dos Atos dos Apóstolos para
verificar – não sem uma dose de espanto! – a notável co-operação do Espírito
divino com as primeiras testemunhas do Salvador.
Mas
não se esgota aí o olhar da Igreja para este tempo gravado na promessa: “quando
vier o Paráclito”. Se fosse assim, viveríamos apenas do passado. Ao contrário,
em cada época, em cada geração, em cada vida humana repete-se a expectativa da
mesma “Vinda” do Espírito. Aqui e ali, registram-se reavivamentos e novos
sopros do Espírito. É nesse mesmo Paráclito que a Igreja respira e se inspira
para encontrar o rumo em cada reviravolta da História dos homens, que é também
a História da Salvação.
Quando
nossos jovens são preparados para a Crisma, o Sacramento da Confirmação, nós
precisamos acender em cada um deles a viva chama dessa expectativa. Como
atletas na linha de partida, precisam ficar atentos ao sinal de largada. E sem
as moções do Espírito Santo, correrão em círculos...
Cabe
um olhar atento sobre nossas comunidades. Vivemos no Espírito? Arde em nós a
chama dos primeiros discípulos? Somos cristãos em missão? Ou a rotina nos
transformou em meros burocratas, executando tarefas previsíveis que são mais um
fardo que um desafio?
Vale
insistir em perguntas. Quem nos vê percebe algo diferente do comportamento dos
novos pagãos? Nossos objetivos são diferentes? Nossos programas são diferentes?
Nossas motivações são outras?
Se
a diferença se apaga, se os contrastes se anulam, é que a chama do Espírito já
foi sufocada em nós. Deixamos que o “espírito” do mundo nos conformasse (cf. Rm
12,2) a seus valores e interesses. Assim, já não incomodamos, não chamamos a
atenção, não fazemos diferença...
Ah!
Quando o Paráclito vier, teremos como respirar, como nos inspirar. E, enquanto
não vem, ao menos devemos suspirar...
Orai sem cessar: “Não me prives, Senhor, do teu Santo Espírito!” (Sl 51,13)
Texto de Antônio Carlos Santini,
da Comunidade Católica Nova Aliança.

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