sexta-feira, 1 de junho de 2018

PALAVRA DE VIDA

Sentiu fome... (Mc 11,11-26)
Resultado de imagem para jesus pede agua na cruz Mais uma vez, os santos Evangelhos nos mostram com simplicidade, mas com realismo, o lado plenamente humano de Jesus. E prontamente cai por terra a heresia dos docetistas, segundo os quais a humanidade de Jesus Cristo seria mera “aparência”.
Na carne dos mortais, nascido de Mulher, o Filho de Deus tem fome. À beira do poço de Jacó (Jo 4,6-7), vamos encontrá-lo cansado e com sede. Se morre o amigo Lázaro (Jo 11,35), o homem Jesus chora sem nenhum recato na dor de todos os humanos. Por fim, em sua agonia (Lc 22), ele sua sangue sob a pressão da angústia. Cravado na cruz, ele brada: “Tenho sede!” (Jo 19,28.)
Apesar disso, quando nós apontamos Jesus como nosso modelo de vida cristã a ser imitado, sempre surge alguém para contrapor: “Mas ele era Deus!” E esse “defeito” – sua divindade - deveria descartá-lo como nosso exemplo de vida. Sim, de fato Jesus era Deus, mas voluntariamente despojado de seus atributos divinos, igual a nós em tudo, exceto no pecado (Hb 4,15).
Gratos que somos ao Senhor, que se fez vítima de propiciação para nos salvar, nós vemos crescer ainda mais a nossa confiança quando nos lembramos de sua humanidade. Não se trata de um deus pagão, nas nuvens etéreas do Olimpo, indiferente à nossa condição humana, o Filho encarnado que se mostra nos Evangelhos. Como se lê na Carta aos Hebreus, “não temos nele um pontífice incapaz de se compadecer de nossas fraquezas. Ao contrário, passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado”.
Foi assim que o Forte se fez todo fraco. O Infinito se fez pequeno. O Eterno entregou-se às circunstâncias da passagem do tempo. O Criador do trigo passou fome de pão. O inventor da água passou sede...
Se aqui e ali, episodicamente, Jesus Cristo demonstrava sua divindade com (raros!) gestos de poder, como quando serenou a tempestade ou multiplicou os pães, no seu dia-a-dia ele se submeteu por inteiro às vicissitudes do comum dos mortais. E nada o demonstra mais claramente que a contemplação dos ícones do Oriente, por exemplo o Menino a mamar na Virgem Mãe. É o ícone da “Virgem da Humildade” (ou Galaktotrophousa, a que alimenta com leite), manifestando sem reservas toda a fragilidade e a dependência escolhida pelo Filho de Deus.
Depois disso, impactados pela humanidade de Jesus Cristo, como reclamar de nosso trabalho e do esforço que a existência cobra de nós? Humano e despojado, Jesus caminha conosco todos os dias de nossa vida...

Orai sem cessar: “Tenho sede de Deus!” (Sl 42,3)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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