Com
que autoridade?
(Mc 11,27-33)
Nós vivemos envolvidos em uma
cultura da “autoridade”. Em lugar de considerar a verdade dos fatos ou a força
dos argumentos, preferimos levar em conta a pessoa que está envolvida. Se o
assunto é técnico, recorremos ao especialista. Assim, seria o doutor em
genética a pessoa indicada para decidir se um embrião humano pode, ou não, ser
usado como matéria-prima para pesquisas duvidosas...
Por outro lado, o “portador da
autoridade” sempre faz questão de acentuar o peso de seu cargo ou o brilho de
seus galões: “Sabe com quem está falando?!” O orador é apresentado com uma
lista de seus feitos e realizações. E o pobre homem-comum acabará esmagado pela
prepotência das autoridades.
Mas existe uma “autoridade” que
ninguém pode negar: a do AUTOR. Afinal de contas, Jesus Cristo é o Verbo de
Deus encarnado. Desde a Criação, ele – o Verbo-Palavra de Deus – participou com
o Pai e o Espírito Santo naquele ato de amor que chamou à existência todos os
seres: terra e água, fogo e ar, rochas e minerais, sementes e florestas, aves e
mamíferos. De tudo, Ele é o Autor!
Na Palestina do tempo de Jesus, a
autoridade política estava nas mãos dos romanos. A autoridade religiosa se dividia
entre os saduceus do Templo e os fariseus da Sinagoga. Escribas e doutores da
Lei, anciãos e príncipes dos sacerdotes impunham-se ao povo com a autoridade de
seus cargos e a imponência de seus títulos.
Neste quadro de opressão, eis que
surge das planícies roceiras da Galileia um simples carpinteiro que fala das
coisas de Deus como quem as conhece de dentro. E, passando da palavra à ação,
cura os doentes e expulsa os maus espíritos. Até os guardas enviados para
prendê-lo voltam de mãos vazias e com os olhos cheios: “Homem algum jamais
falou como este homem!” (Jo 7,46)
Apesar de tudo, Jesus será
rejeitado por seu povo. Foi inútil o testemunho de João Batista, que o
reconheceu como o Cordeiro de Deus. Inúteis foram os sinais de que Deus agia
nele. Inúteis foram as profecias do passado. Sua autoridade acaba recusada,
pois competia com numerosos ídolos de plantão: o orgulho nacional, a avareza
dos poderosos, o jogo do poder, a letra da Lei.
Fala-se muito no “senhorio de
Jesus”, objeto de polêmicas e elucubrações teológicas. Pois não é outra coisa a
não ser o reconhecimento prático da autoridade de Cristo em nossa vida. E, por
falar no assunto: quem manda na sua vida? Quem tem autoridade sobre você? A
quem você obedece?
Orai sem cessar: “Observarei o que tua boca
exige, Senhor!” (Sl 119,88)
Texto
de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
Nenhum comentário:
Postar um comentário