Uma
casa dividida...
(Mc 3,20-35)
Os generais romanos tinham um lema:
“dividir para imperar”. Eles sabiam que um grupo social unido e coeso
dificilmente seria vencido. Por isso, tratavam de provocar divisões no
adversário para enfraquecê-lo. A falta de unidade e coesão solapa progressivamente
todo o edifício social.
Também Jesus de Nazaré conhecia essa
realidade. Via seu povo dividido em grupos religiosos irreconciliáveis
(fariseus e saduceus), partidos opostos (oposição aos romanos e
colaboracionistas, como os publicanos). Ele sabia que a divisão mina a
sociedade, racha as famílias, corrói as comunidades.
É bem claro o princípio lembrado
neste Evangelho: uma casa dividida não tem futuro. Se os que moram na mesma
casa não reúnem suas forças, acabarão arruinados. Qualquer grupo humano – famílias,
equipes de trabalho, empresas, comunidades e Institutos religiosos – estão
sujeitos a esta mesma lei. As congregações possuem seu carisma de fundação como
princípio unificador. As empresas adotam seus objetivos materiais como traço de
união. A família precisa viver o amor como a ponte que a todos aproxima, como
argamassa que reúne as pedras da s construção.
Mesmo em assunto de menor
importância, como o futebol, o senso coletivo deve prevalecer sobre as firulas
e as vaidades individuais. Tanto que os norte-americanos chamam esse esporte de
“soccer”, acentuando seu lado “social” de interação e cooperação. A equipe
treina em conjunto, dorme na mesma concentração e, natural, disputa a partida
ao mesmo tempo, vestindo a mesma camisa. Se vencem, todos comemoram; se perdem,
todos se sentem humilhados.
Neste Evangelho, os adversários de
Jesus apostam em um absurdo: Jesus estaria expulsando demônios não pelo poder
de Deus, mas pela potência do próprio demônio. Jesus repele esta autêntica
blasfêmia com a simples lembrança dos efeitos destrutivos da divisão interna.
Chega ao extremo de lembrar que não existe perdão para aquele que atribui ao
demônio as manifestações do Espírito divino.
Nós somos herdeiros da fé
apostólica. Assim como os atletas de uma equipe de revezamento, recebemos das
gerações anteriores um “bastão”, que é o depósito da fé, e não podemos deixar
que ele caia no esquecimento. Os mistérios da fé apostólica, que repetimos no
Símbolo – o “Creio” – em cada Eucaristia, são o eixo de nossa unidade. Todo
desvio dessa herança acaba por gerar a fratura e a discórdia, gerando facções e
partidos.
Que posso fazer para estreitar os
laços de minha família?
Orai sem cessar: “Oh! Como é bom e agradável
irmãos
unidos viverem juntos!” (Sl 133,1)
Texto
de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança
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