Ele os curou a todos... (Mt 12,14-21)
Uma frase tão curta,
mas suficiente para revelar o imenso bem que Jesus realizava no meio da turba
que se aglomerava à sua volta, mesmo quando seu tempo de repouso ou de
alimentação se tornava impossível.
Em nosso tempo, se
algum líder religioso realizasse os mesmos prodígios, certamente recorreria aos
meios de comunicação para alardear seus feitos, multiplicar seguidores e
amplificar doações em espécie. Não era o caso de Jesus de Nazaré. Como anota o
evangelista, após curar “a todos”, Jesus advertia com severidade às pessoas
beneficiadas para que não manifestassem o que ele havia feito.
Assim comenta o
exegeta Hébert Roux:
“A recomendação
expressa que Jesus faz aos enfermos curados para que não o deem a conhecer,
acentua, aqui como em outras passagens, a vontade de Jesus de permanecer em
segredo, de tal maneira que o anúncio do Evangelho de modo algum assuma o caráter
de uma propaganda chamativa e convincente: ‘Ele não contestará, ele não
gritará; não se ouvirá sua voz nas praças públicas’. Entretanto, ‘ele anunciará
o julgamento às nações, e fará triunfar a justiça’”.
“É no caminho do
abaixamento descrito por Isaías, que vai caminhar o Servo do Eterno; ele é doce
e humilde de coração, e leva em consideração o caniço rachado e a mecha que
está para se apagar, isto é, aqueles que em outra parte ele designa como os
pobres, os que têm fome de justiça ou ainda os cansados e sobrecarregados. Que
todos eles aprendam a depositar sua esperança apenas em Seu nome, e somente
dele esperem pela justiça.”
Que lição para nós!
Não é com propaganda e carros de som, não é com poderosas redes de comunicação,
com a exibição de milagres, que os corações se voltarão sinceramente para Deus.
A gulosa busca de poder e de cura, o anseio por fatos sobrenaturais e
consolações espirituais geralmente nos prendem a nós mesmos, transformados em
consumidores do supermercado da religião.
“Somente podem
descobrir o segredo messiânico aqueles que, pela fé, reconhecem em Jesus o
Escolhido, o Bem-Amado do Eterno, sobre o qual repousa o Espírito de Deus. São
bem estes os termos pelos quais Jesus foi designado desde o começo, por ocasião
de sua descida batismal, que assinala de que maneira triunfará nele toda a
justiça.”
Orai sem
cessar: “O Senhor
cura os corações atribulados e enfaixa suas feridas.” (Sl 147,3)
Texto de
Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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