Felizes os
vossos olhos! (Mt
13,16-17)
Nada pior que a ingratidão! O ditado
popular condena o gesto do ingrato: “cuspiu no prato em que comeu”. Se fazemos
vista grossa e ouvidos de mercador diante dos dons com que nos cumula o Senhor,
cometemos esse pecado. Neste Evangelho, Jesus se emociona. Logo depois de
interpretar para os discípulos a parábola do semeador, cujo sentido lhes
permanecia obscuro, o Mestre se dá conta de que eles estão ouvindo e vendo
aquilo que os justos da Primeira Aliança – patriarcas e profetas – teriam
suspirado por ver e ouvir...
São privilegiados – como nós – estes
seguidores do novo tempo inaugurado pela encarnação do Verbo de Deus, a nova e
eterna Aliança com os homens. Por isso a dupla exclamação: Felizes!
Bem-aventurados! E não sabemos se aqueles homens simples, um tanto rústicos,
chegaram a perceber os privilégios e favores de que eram objeto...
Nós também somos privilegiados.
Vivemos um tempo em que os dons do Espírito Santo são derramados de modo
intensivo e extensivo, mais que em qualquer outra época da história. O mínimo
que podemos fazer é dar graças a Deus, como em meu soneto “Ação de Graças”:
Senhor, em tudo vejo a
tua Graça
Derramada sem conta e
sem limite:
Nem esperas que eu erga
o olhar e grite,
Pois logo o teu divino
Amor me abraça!
Tua bondade sempre me ultrapassa,
Teus dons sempre superam meu
palpite...
E mesmo que eu me furte, e o Amor
evite,
A tua Luz me invade e me devassa!
Dou-te graças, meu Pai,
e reconheço
Que todos estes dons eu
não mereço
E hei de acabar a vida
devedor...
Mas de tua Graça nunca fazes conta
Nem tua Mão meus débitos aponta,
Pois é cego às faturas teu Amor!
Sou grato a Deus pelos favores
imerecidos que recebo de seu amor de Pai? Ou ainda estou incluído na lista dos
queixosos, que se sentem mal servidos por um Deus indiferente?
Orai sem
cessar: “Bendirei ao Senhor em todo o tempo!” (Sl
34,2)
Texto e
poema de Antônio Carlos Santini, da Com. Católica Nova Aliança.
Nenhum comentário:
Postar um comentário