Duvido que, algum dia, Herodes
tenha-se ocupado com um mísero grão de mostarda! Duvido que o governador Pôncio
Pilatos tenha dedicado alguns minutos a contemplar os lírios do campo que se
espalhavam pelo semiárido... Os poderosos deste mundo não perdem seu tempo com
essas ninharias...
Mas o olhar de Jesus percebe o valor
das coisas pequenas, ele pressente o seu mistério, lê seu sentido profundo.
Mesmo que sejam pardais nos arvoredos, mulheres do povo amassando pão,
pescadores lançando a tarrafa! É das coisas mais simples e triviais que o
Mestre extrai o ensinamento de sua doutrina.
Foi assim com a aproximação que
Jesus fez entre um grão de mostarda e o Reino dos céus. Eis o comentário de Lev
Gillet:
“Nós atenuamos esta parábola, nós a
enfraquecemos, nós a esvaziamos de seu ‘maximalismo’ quando pensamos no grão de
mostarda simplesmente como uma pequena planta capaz de considerável
crescimento. E a reduzimos a uma banalidade, uma platitude, se a mensagem que
dela extraímos é alguma coisa como: ‘aquilo que é grande, primeiro foi
pequeno’”.
- “Mestre – prossegue o comentarista
-, tu não disseste que a mostarda é uma plantinha que se torna grande. Tu
disseste que ela se torna maior que as hortaliças, que ela se torna uma árvore.
‘Uma árvore’, isto é, uma estrutura que, na concepção e na linguagem comuns
(senão na estrita verdade botânica) é completamente diferente de uma planta. E
não somente ‘uma árvore’, mas uma árvore tal, que ‘os pássaros do céu vêm
habitar em seus ramos’ (Mt 13,32).”
“Tu empregaste um superlativo. E aí está, Senhor, a tua
lógica, a lógica de teu Evangelho, a lógica dos contrastes e dos extremos. Tu
não nos exortas apenas a nos tornar ‘pequenos’ para acabarmos ‘grandes’ diante
de teu Pai. Tu nos exortas a acolher em nós a semente ‘mais pequenina’, a nos
lançarmos em um abismo de humildade. E então o grão de mostarda pode tornar-se,
em nós, ‘uma árvore’. Não é suficiente dizer que a pequenez é a condição da
grandeza. É da extrema pequenez que sairá a extrema grandeza.”
“Esta parábola, Senhor, esclarece
poderosamente o teu pensamento. Ele se move entre os extremos. Não se detém nas
posições intermediárias. Em ti, não há meias-tintas. Existe um sim que é sim,
um não que é não. Tu nos forças a optar entre a luz e as trevas. Tu nos provocas
para aspirações e decisões que tendam a um máximo. O mais difícil, o mais alto,
o melhor.”
Orai sem
cessar: “O Senhor
eleva os humildes...” (Sl 147,6)
Texto de Antônio
Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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