Pela forma como o próprio Jesus
“traduz” sua parábola do joio e do trigo, podemos considerá-la uma alegoria, já
que seus vários componentes possuem simbolismos individuados. Temos um
semeador, Jesus. Temos a boa semente, os filhos do Reino de Deus. Temos o joio,
os que pertencem ao maligno. Teremos, no fim dos tempos, os segadores da
colheita: os anjos de Deus.
Hoje, vamos centrar nossa reflexão
no “campo” que recebe a dupla sementeira (bem e mal). Este campo é o mundo: um
espaço-tempo onde decorre a história da humanidade. Ele nos é apresentado como
terra a ser semeada até um desfecho, quando ocorrerá a separação entre joio e
trigo.
Os apressados querem fazer JÁ essa
separação, sem levar em conta que as duas plantas, quando pequenas, são
praticamente idênticas, e inevitavelmente o trigo seria arrancado com o joio.
Cuidado, pois, com a atitude impaciente que cobra de Deus uma intervenção
imediata, não sabendo conviver – por enquanto – com o joio entre nós. E, claro,
dentro de nós também...
Não forçamos a interpretação se
dizemos que o Reino dos céus já tem seu germe no reino deste mundo. Tampouco se
afirmamos que ele deve crescer, após ser semeado, no decorrer da história, até
“amadurecer” o suficiente para a colheita final.
Nesta visão, o provisório (a Criação
temporal) já traz em segredo, ocultamente, as sementes da eternidade. E este
mesmo mistério inclui a possibilidade de o trigo se corromper em joio, bem como
de o joio ser transfigurado em trigo. O santo e o pecador vivem um dinamismo
que permite a degradação e a regeneração até o último instante da história.
Basta lembrar que grandes santos foram grandes pecadores... e reconhecer que
todos nós caminhamos sobre um fio de navalha, do qual certamente cairemos sem o
sustento da graça divina.
Quando Jesus convocou seus
discípulos, ele o fez com a intenção de que se tornassem, também eles,
semeadores no campo do mundo. A missão pessoal do Salvador é estendida à
Igreja, “uma humanidade de acréscimo” a Cristo.
Enquanto isso, os moralistas
protestam contra a insuportável presença do joio. Os céticos afirmam que “tanto
faz”. O evangelizador consagra sua vida a semear a boa semente. Em que time
está você?
Orai sem
cessar: “Quem
semeia entre lagrimas colherá com alegria.” (Sl 126,5)
Texto de
Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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