quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

PALAVRA DE VIDA


 A Virgem conceberá... (Is 7,10-14)
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              Tenho diante dos olhos uma reprodução do ícone da “Virgem do Sinal”, inspirado no protoevangelho de Isaías 7, 14. Esta passagem fala do Emanuel, “Deus-conosco”. Diferente das “Hodighítrias” (como a conhecida N. Sra. do Perpétuo Socorro, com a mão direita a apontar o “caminho” Jesus), diferente também das “Eleúsas” (com o Filho no colo, abraçado com ternura, como no ícone de Vladimir), trata-se de um ícone do tipo “orante”: Maria tem os braços erguidos para o céu.

               No seu ventre sagrado, em forma de um medalhão, vê-se Jesus, o Emanuel. Mas nada tem a ver com os “bambinos” do Renascimento italiano. Ele possui estatura de adulto, vestido de ouro – a divindade – e de púrpura – a realeza. Nas mãos, traz um rolo, pois Ele é o Verbo, a Palavra de Deus que se encarnaria, nascendo de Mulher.
               A profecia de Isaías se antecipa ao fato da Encarnação em cerca de 750 anos. Os profetas “veem” o futuro e, com sua visão, animam o povo a confiar nas promessas do Senhor. Em um tempo de incertezas, sob a ameaça de inimigos poderosos que poderiam causar a destruição de Israel, o próprio Rei Acaz busca segurança em alianças militares com poderes deste mundo. Quando Isaías vai a seu encontro, o rei supervisionava os trabalhos na captação de água, preparando um reservatório e prevenindo-se para o cerco de Jerusalém. A velha história de contar apenas com os recursos humanos...
Acaz se recusa a pedir a Deus um sinal de sua presença como defensor de seu povo. Isaías, então, diante da negativa do rei, retruca com a profecia desta leitura: “Pois bem, o próprio Senhor vos dará um sinal!” Deus se “oferece” e dá o sinal que o rei não pediu! O “sinal” é uma impossibilidade humana: a Virgem conceber! Ainda hoje, este sinal incomoda os racionalistas de plantão, como se Deus não fosse o Senhor da vida e da morte, das concepções e das paradas cardíacas!
Mas o que importa é outra coisa: nosso Deus é um “Deus-conosco”. Isto é, não apenas um Deus entre os homens, em nosso grupo social, mas um “Deus-na-carne”, que assume por inteiro a nossa condição. Ao contrário dos deuses do Olimpo, Ele não flutua acima do mundo real, mas participa plenamente de nossa vida: tem fome e sede, trabalha e sua, sangra e morre.
               Desde então, o Natal não pode ser visto como lenda piedosa. É o “sinal” do louco amor de Deus por todos nós...

Orai sem cessar: “Eu vos tomarei como meu povo!” (Ex 6,7)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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