terça-feira, 25 de dezembro de 2018

PALAVRA DE VIDA


Uma grande luz... (Is 9,1-6)
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         Foi a luminosidade excepcional de uma conjunção de astros que apontou aos magos do Oriente o caminho de Belém (cf. Mt 2,2). Na noite do Natal, os humildes pastores ouvem o anúncio dos anjos inteiramente envolvidos pela luz gloriosa do Senhor (cf. Lc 2,9) que vinha espantar as trevas da humanidade.

Era exatamente desta “iluminação” que falava a antiga profecia de Isaías, em notável contraste entre a triste condição humana (“habitavam as sombras da morte”) e a salvação agora oferecida pelo Ungido de Deus (grande luz / alegria / felicidade / cangas quebradas / um filho doado).
               Desde os primeiros séculos, os cristãos adotaram um crucigrama (uma cruz formada por letras) com as palavras gregas phôs e zoé [luz e vida], afirmando que Cristo veio para ser nossa luz e nossa vida. O círio pascal, a vela do batismo, a vela nas mãos do moribundo, as procissões luminosas – são apenas alguns dos sinais adotados pela Igreja para acentuar o lado luminoso da fé.
               Por oposição, o pecado é visto como sombra, o paganismo como noite profunda, enquanto a conversão é passagem para a luz. Na Carta aos Efésios, Paulo escreve àqueles que foram batizados: “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Procedei como filhos da luz. E o fruto da luz é toda espécie de bondade e de justiça e de verdade. [...] E tudo o que é manifestado torna-se claro como a luz. Eis porque se diz: ‘Desperta, tu que estás dormindo, levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminará’”. (Ef 5,8-9.14)
               Representado como “luz divina”, o Espírito de Deus, prometido desde o Antigo Testamento (cf. Jl 3; Ez 36,26), veio na manhã de Pentecostes como um fogo iluminador (cf. At 2). À luz pura e simples, com seu papel de revelar e sanear, juntam-se as línguas de fogo, que liquefazem o sólido e cauterizam as feridas. Desde Pentecostes, a experiência cristã é uma iluminação.
               Nossa sociedade passa por uma noite de trevas. Suas marcas são a fraude e a mentira, a verdade escamoteada, a ridicularização dos valores (sejam eles a pureza, a castidade, o trabalho humilde, a honestidade...), ao lado das mais aviltantes idolatrias, com o dinheiro escravizando a seus pés uma multidão de adoradores.
               Neste Natal, tornemos mais intensas as nossas orações, rogando ao Menino de Belém que a noite se vá e nova aurora inunde os nossos corações.

Orai sem cessar: “Senhor, à tua luz veremos a luz!” (Sl 36,10)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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