sábado, 16 de agosto de 2014

PALAVRA DE VIDA

 Não as impeçais... (Mt 19,13-15)
            Neste Evangelho, a atitude dos discípulos talvez não mereça grande condenação. Tentando manter as crianças longe do Mestre, talvez pensassem apenas em protegê-lo. Como se sabe, crianças são agitadas, barulhentas, incômodas para muitos adultos...

            Mas podem ser amadas...
            E o amor de Jesus pelos pequeninos é bem conhecido. Teresa de Lisieux – a Teresinha tão conhecida – fez dessa intimidade infantil o foco de sua vida espiritual. “Jesus sente prazer em mostrar-me o único caminho que leva para essa fornalha divina, e esse caminho é a entrega da criancinha que adormece sem receio no colo do pai... ‘Quem for criança, venha cá’, disse o Espírito pela boca de Salomão, e esse mesmo Espírito de Amor disse também que ‘a misericórdia é dada aos pequenos’.” (Man. B, 242)
            A santa do Carmelo de Lisieux realça a importância de um contato precoce entre as criancinhas e Jesus Cristo. “Vendo de perto essas almas inocentes, compreendi ser grande infelicidade não formá-las desde seu despertar, quando são como uma cera mole sobre a qual se pode depositar tanto as impressões das virtudes como do mal... Compreendi o que Jesus disse no Evangelho: que seria melhor ser lançado ao mar do que escandalizar uma só dessas crianças. Ah! Quantas almas chegariam à santidade se fossem bem dirigidas!” (Man. A, 148)
            É conhecida a tática adotada pelos governos do nazismo de Hitler e do comunismo de Stálin: afastar as crianças precocemente da influência familiar e doutriná-las no ateísmo. O objetivo é impedir desde a infância uma relação com Deus, podando pela raiz a acolhida das tradições religiosas dos antepassados. Ainda hoje, em regimes totalitários, a escola é utilizada como ferramenta de ruptura com as tradições familiares e religiosas, deslocando dos pais para os professores - previamente doutrinados - a formação de valores e atitudes. No fundo, uma tática para formar escravos...
            Quando Jesus afirma (v. 14) que o Reino dos Céus pertence a pessoas “assim como as criancinhas”, devemos entender como um convite a viver o cristianismo em estado de infância: abandono, confiança, entrega absoluta nas mãos de um Deus que é Pai.
            Quando viveremos como filhos?
Orai sem cessar: “Entrega ao Senhor o teu futuro!” (Sl 37,5)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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