Pelo
mundo inteiro...
(Mc 16,15-20)
No dia em que a Igreja celebra a
festa do evangelista São Marcos, a tonalidade dominante é o alcance universal
da Boa Nova a ser anunciada sem barreiras e sem fronteiras. E não se trata de
mero conselho ou exortação, mas parte de um imperativo irrenunciável: “Ide!
Anunciai!”
Diante deste imperativo, ficam em
segundo plano as “obras sociais”, a ação cultural, a presença nos areópagos do
mundo – toda a rica contribuição da Igreja para a sociedade dos homens. Rica,
sim, mas secundária. O foco da vida eclesial, aqui e ali esmaecido em troca de
outros objetivos, não pode ser outro senão o Querigma, a destemida proclamação
da Boa Nova de Jesus Cristo.
E esta proclamação é, por natureza,
um anúncio sem distinção, pois se dirige “ao mundo inteiro”, sem excluir
qualquer raça ou povo, cultura ou nação, classe ou profissão. Em seu sacrifício
salvador, Jesus pensava em TODOS: “Quando eu for levantado da terra, atrairei
todos a mim!” (Jo 12,32)
Ao anunciar o Evangelho, a Igreja dá
continuidade, como humanidade de acréscimo, à missão do próprio Jesus Cristo.
“Esta missão – ensinava o Papa João Paulo II – é um envio no Espírito, como se vê claramente no texto de São João (cf.
Jo 20,21-23): Cristo envia os seis ao mundo, como o Pai O enviou a Ele; e, para
isso, concede-lhes o Espírito. Lucas (24,46-49) põe em estreita relação o testemunho
que os Apóstolos deverão prestar de Cristo com a ação do Espírito, que os
capacitará para cumprir o mandato recebido.” (Redemptoris Missio, 22)
O resultado que se espera deste
anúncio é o ato de fé que culmina com o pedido para ser batizado. “À pregação
do Evangelho, junta-se o sinal batismal que marca a incorporação no corpo de
Cristo. Pelo Batismo, todas as nações são incluídas no benefício da graça do
Deus vivo, Pai, Filho e Espírito Santo, pois Jesus, ao morrer na Cruz,
manifesta o amor do Pai, e esta graça só é acessível pela fé, pelo Espírito
Santo.” (H. Roux)
Fica evidente que a Igreja de Jesus
atravessa os séculos com um permanente débito em relação à humanidade toda.
Paulo sabia disso muito bem, nos primeiros tempos, quando gemia: “Ai de mim se
eu não anunciar o Evangelho!” (1Cor 9,16)
A atitude tranquila e cômoda de quem
afirma que convém deixar cada grupo social com suas antigas tradições
religiosas, mesmo aquelas que incluem sacrifícios humanos e superstições das
mais vergonhosas, é, no mínimo, uma traição à missão que o Senhor comissionou à
Igreja. Ainda mais, revela inaceitável desprezo pelo sacrifício salvífico de
Jesus, cuja morte teria sido inútil, já que dispensável...
Como deixar nas sombras a luz que
nos foi confiada?
Orai sem cessar: “Entre os povos narrai a sua glória!” (Sl 96,3)
Texto
de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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