terça-feira, 25 de abril de 2017

PALAVRA DE VIDA

Pelo mundo inteiro... (Mc 16,15-20)
Imagem relacionada           No dia em que a Igreja celebra a festa do evangelista São Marcos, a tonalidade dominante é o alcance universal da Boa Nova a ser anunciada sem barreiras e sem fronteiras. E não se trata de mero conselho ou exortação, mas parte de um imperativo irrenunciável: “Ide! Anunciai!”

            Diante deste imperativo, ficam em segundo plano as “obras sociais”, a ação cultural, a presença nos areópagos do mundo – toda a rica contribuição da Igreja para a sociedade dos homens. Rica, sim, mas secundária. O foco da vida eclesial, aqui e ali esmaecido em troca de outros objetivos, não pode ser outro senão o Querigma, a destemida proclamação da Boa Nova de Jesus Cristo.
            E esta proclamação é, por natureza, um anúncio sem distinção, pois se dirige “ao mundo inteiro”, sem excluir qualquer raça ou povo, cultura ou nação, classe ou profissão. Em seu sacrifício salvador, Jesus pensava em TODOS: “Quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim!” (Jo 12,32)
            Ao anunciar o Evangelho, a Igreja dá continuidade, como humanidade de acréscimo, à missão do próprio Jesus Cristo. “Esta missão – ensinava o Papa João Paulo II – é um envio no Espírito, como se vê claramente no texto de São João (cf. Jo 20,21-23): Cristo envia os seis ao mundo, como o Pai O enviou a Ele; e, para isso, concede-lhes o Espírito. Lucas (24,46-49) põe em estreita relação o testemunho que os Apóstolos deverão prestar de Cristo com a ação do Espírito, que os capacitará para cumprir o mandato recebido.” (Redemptoris Missio, 22)
            O resultado que se espera deste anúncio é o ato de fé que culmina com o pedido para ser batizado. “À pregação do Evangelho, junta-se o sinal batismal que marca a incorporação no corpo de Cristo. Pelo Batismo, todas as nações são incluídas no benefício da graça do Deus vivo, Pai, Filho e Espírito Santo, pois Jesus, ao morrer na Cruz, manifesta o amor do Pai, e esta graça só é acessível pela fé, pelo Espírito Santo.” (H. Roux)
            Fica evidente que a Igreja de Jesus atravessa os séculos com um permanente débito em relação à humanidade toda. Paulo sabia disso muito bem, nos primeiros tempos, quando gemia: “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!” (1Cor 9,16)
            A atitude tranquila e cômoda de quem afirma que convém deixar cada grupo social com suas antigas tradições religiosas, mesmo aquelas que incluem sacrifícios humanos e superstições das mais vergonhosas, é, no mínimo, uma traição à missão que o Senhor comissionou à Igreja. Ainda mais, revela inaceitável desprezo pelo sacrifício salvífico de Jesus, cuja morte teria sido inútil, já que dispensável...
            Como deixar nas sombras a luz que nos foi confiada?
Orai sem cessar: “Entre os povos narrai a sua glória!” (Sl 96,3)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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