O Pai ama o Filho... (Jo 3,31-36)
Deus é amor, define São João em uma
de suas cartas. Este amor é um amor eterno, vivido em comunhão no seio da
Trindade antes que nada existisse. No Deus uno e trino, realiza-se a comunhão
amorosa de três Pessoas: o Pai amante, o Filho amado e o Espírito, que é amor
partilhado e comunicado entre o Pai e o Filho.
Em momentos especiais dos Evangelhos,
como as teofanias do Batismo no Jordão e da Transfiguração no Tabor, a voz do
Pai declara o seu amor: “Tu és o meu Filho muito amado; ponho em ti minha
afeição”. (Lc 3,22.) Gerado eternamente pelo Pai (genitum, non factum,
isto é, “gerado, mas não criado”, afirma o Credo de Niceia e Constantinopla), o
Filho é o modelo de acolhida do divino Amor.
Há mistérios tão profundos, que
nossa frágil razão humana não consegue atingir: como é que um Pai amoroso
permite – e chega mesmo a propor! – que seu Filho se encarne e dê a vida por
nossa salvação? Em nossa mentalidade humana, amar alguém inclui a atitude de
envolvê-lo em uma redoma de proteção que o impeça de sofrer. Nós mesmos, em
nossa vida pessoal e familiar, muitas vezes falhamos em nossa missão pela
recusa dos sofrimentos inerentes a ela.
A resposta a esse mistério está no
amor... O Pai tem outros filhos. Eles estão afastados, rompido que foi o canal
da comunicação amorosa entre coração e coração. A Paixão e Morte do Verbo
encarnado, isto é, do Filho, condição por ele assumida em plena liberdade,
participando do mesmo amor do Pai, viria reatar a amizade rompida entre o Pai
Criador e todos os filhos dispersos. Impelido pelo Espírito, o Filho abraça o
desígnio do Pai e nos resgata da morte do pecado, ao preço de seu sangue.
Também não estamos muito aptos a
compreender como se sentia Jesus, Deus e homem verdadeiro, em sua experiência
terrena. Mas podemos levantar ao menos uma ponta do véu e imaginar que ele se
sentia de tal modo amado pelo Pai, que os extremos sofrimentos de sua carne
eram uma resposta de amor.
Dentro desta perspectiva, os padecimentos
físicos, as dores morais, os sofrimentos do espírito, tudo adquire nova
dimensão sob o signo do amor, tal como as dores do parto são compensadas pela
alegria do filho que nasceu como novo atrativo e novo incentivo para o amor
materno.
Você se sente amado pelo Pai? Esta
experiência amorosa o conforta nas horas difíceis? Não seria o caso de pedir a
Jesus a graça de partilhar do seu sentimento de ser amado como filho?
Orai sem cessar: “Pai de amor, eu quero ser
teu filho amado!”
Texto
de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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