domingo, 3 de junho de 2018

PALAVRA DE VIDA


 O Senhor do sábado... (Mc 2,23 – 3,6)
Imagem relacionada   Os costumeiros adversários de Jesus continuam “de olho” nele em busca de motivos para denunciá-lo às autoridades. Em questão, neste Evangelho, o mandamento veterotestamentário sobre o repouso sabático. E Jesus deixa bem claro que todos os dias – inclusive o sábado - são bons para fazer o bem. Normas religiosas não servem de desculpa para nossa indiferença diante de quem sofre...

            É assim que o Mestre enfrenta a oposição os donos da sinagoga e, num gesto de ousadia, traz o paralítico para o meio da assembleia, à vista de todos, e manda que ele estenda a sua mão, curando-o imediatamente. É a mais clara demonstração de que Jesus é o Senhor do sábado.
            Em outra situação, o próprio Mestre iria apontar para o exemplo do Pai, que jamais deixa de agir na Criação: “Meu Pai trabalha a cada dia, e eu também trabalho”. (Jo 5,17) A ideia de que a Criação se encerrou com o sexto dia do Gênesis leva a pensar que o Criador se ausentou do Cosmo, que agora evolui por conta própria. Estaríamos entregues a nós mesmos, sem o Sopro criador, sem as moções do Espírito, sem a Graça atual. Solidão total. Puro paganismo...
            Santo Hilário de Poitiers reflete sobre o tema: “Então, o próprio Deus trabalha no dia de sábado? Claro que sim, pois de outro modo o céu desapareceria, a luz do sol se extinguiria, a terra perderia consistência, todos os frutos ficariam sem a seiva e a vida dos homens pereceria se, por causa do sábado, a força constitutiva do universo deixasse de agir”.
            Hans Urs von Balthasar observa que os “formalistas” – aqueles que fazem do repouso semanal um absoluto – não percebem que o trabalho feito para o outro contribui para a glória de Deus. Assim, o médico que faz plantão aos domingos, atendendo às pessoas acidentadas, bem como o motorista de ônibus que nos leva ao templo no mesmo dia, não trabalham em proveito pessoal, mas são uma extensão da obra do próprio Deus.
            Então, em que consiste o “descanso” de Deus? Santo Hilário responde: “A obra de Deus é a obra de Cristo. E o repouso de Deus, é o Cristo Deus, pois tudo o que pertence a Deus está verdadeiramente em Cristo, a tal ponto que o Pai pode repousar sobre ele”.
            O Senhor do sábado é também o Senhor de nossas vidas. Ele não quer limitar-se a controlar as órbitas dos planetas e a gestação das nebulosas, mas quer agir também em nosso dia a dia. O tempo todo, Jesus está de plantão, pronto a nos renovar. Para isso, espera tão somente um gesto de nossa parte: estender a mão...
            Até quando nós permaneceremos com o braço encolhido?

Orai sem cessar: “Senhor, na tua mão está o meu destino!” (Sl 31,15)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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