Um
homem plantou uma vinha...
(Mc 12,1-12)
Desde o Antigo Testamento, a Sagrada
Escritura fala do povo de Israel como a “vinha do Senhor” (cf. Is 5,1-7; 27,2ss).
Trata-se de uma obra de Deus, sob a imagem do vinhateiro, que investe
pesadamente no terreno (limpeza, cerca, lagar, torre...) à espera de uvas que
deem bom vinho.
Já no AT, a própria vinha não
correspondeu às intensas expectativas do Senhor que, decepcionado, decide
abandoná-la aos invasores. Agora, no Novo Testamento – é isto que Jesus nos diz
nesta parábola: a situação se agrava. Aqueles a quem o Senhor confiara seu povo
(sua vinha) recusam-se deliberadamente a passar ao Senhor da vinha a sua
“parte” dos resultados. Recusa que chegaria ao extremo de, após espancar e
injuriar seus emissários, assassinar o próprio Herdeiro.
Quem é o “Herdeiro do Senhor” ? É
Jesus, o Filho do Pai. Enviado pelo Pai até os pastores do judaísmo (doutores
da lei, fariseus, Sumo Sacerdote), o Filho é sumariamente recusado, perseguido
e, afinal, crucificado. Estamos diante do grande mistério da recusa do
Messias...
Entretanto, aquele fato histórico
verificado no tempo de Jesus, que não foi acolhido pelas lideranças religiosas
judaicas de seu tempo, não deveria servir para nós como uma cortina de fumaça
que nos desobrigue de avaliar nossa própria realidade. Também à Igreja se
refere esta parábola! Tanto que ela está situada no Novo Testamento! Lá, como
cá, o mesmo risco está presente...
A Igreja é o novo Israel. Também ela
é convidada, todos os dias, a apresentar ao Senhor generosamente os “frutos da
vinha”. Nós, os servidores da Igreja, infiéis à nossa missão, podemos recusar a
Deus a “sua parte” e nos apossar violentamente de seus dons, utilizando-os em
proveito próprio.
Por outro lado, a própria Igreja é
uma vinha que Deus oferece ao mundo. E também aqui se verifica a terrível
recusa: desprezo, zombarias, suspeitas, rejeição, deformação da sua imagem. Os
inimigos da Igreja sempre têm espaço disponível nos meios de comunicação. Os adversários
do Evangelho caricaturam a Jesus e distorcem sua mensagem. Os apóstatas são
aclamados como heróis, fazendo fortuna com seus livros, filmes e peças de
teatro que destilam o ódio e a mentira.
“Que fará o dono da vinha?” Não
deixará impune esta recusa. “Há de vir e exterminar aqueles lavradores, e
confiará sua vinha a outros lavradores.”
É hora de me perguntar: cumpro o meu
papel na vida da Igreja? Dou os frutos que Deus espera de mim?
Orai sem cessar: “A vinha dará a sua uva e a
terra os seus frutos.” (Zc 8,12)
Texto
de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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