A
efígie e a inscrição... (Mc 12,13-17)
Mais uma vez, Jesus de Nazaré se
encontra diante de uma armadilha preparada por seus adversários. A intenção
deles é encontrar algum motivo para acusá-lo diante das autoridades religiosas,
o sinédrio, ou perante as autoridades romanas.
Maliciosamente, perguntam-lhe se
é justo, ou não, pagar o imposto devido ao Imperador romano. Ora, o povo de
Israel estava sob dominação estrangeira. Militarmente vencidos, pagavam pesados
tributos ao invasor. Toda a vida social e econômica fora profundamente alterada
com a presença das legiões romanas. Os colaboracionistas – como os publicanos,
que assumiam o detestável mister de cobrar os impostos – eram detestados pelos
judeus.
Se Jesus confirmar publicamente o
direito dos romanos a receberem o imposto, ficará na contramão dos sentimentos
populares e se tornará alvo da antipatia e das recriminações do povo. Se, ao
contrário, ele disser que os compatriotas judeus não devem pagar o tributo
imposto pelo dominador, assume a postura de um elemento subversivo, a estimular
a população à revolta. De um modo ou de outro, Jesus fica mal.
Naturalmente, os circunstantes
pensam que o pregador de Nazaré está em um beco sem saída. Inesperadamente,
Jesus pede a seus interlocutores que lhe mostrem uma das moedas com que pagavam
o imposto. Era uma moeda cunhada pelos romanos e trazia em relevo a silhueta de
César. Se recordarmos que a lei mosaica proibia aos judeus a fabricação de
imagens de pessoas e animais, sob a acusação de idolatria, a simples posse de
uma moeda como aquela podia ser vista como grave violação da Lei, como admissão
de um poder que fazia competição ao poder do Senhor Yahweh.
Ora, o homem e mulher foram criados
à imagem de Deus. Nas palavras do Gênesis, o Criador neles imprimira a sua
“efígie” e sua semelhança. Não havia, pois, como confundir a imagem de César e
a imagem de Deus. Daí, para surpresa de todos, a genial resposta de Jesus, que
se tornou uma espécie de critério para a sociedade de todos os tempos: dar a
César o que é de César (como moedas, impostos, tributos, valores materiais...),
mas reservar para Deus aquilo que não pode ser usurpado a seu senhorio, em
primeiro lugar o coração do homem, chamado à adoração do verdadeiro Deus. Sem
excluir o próprio César... que também “pertence” ao Criador de todos...
Se nosso mundo ainda não encontrou a
paz e a harmonia entre as nações, é porque não se cumpre a ordem de Jesus. Se ainda
há pessoas que não acharam a paz interior, é porque continuam entregando a
César aquilo que deveria ser reservado para Deus... A começar por si mesmas...
Orai sem cessar: “Senhor, são vossas todas as
nações!” (Sl 82,8)
Texto
de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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