segunda-feira, 30 de abril de 2018

PALAVRA DE VIDA


 Se alguém me ama... (Jo 14,21-26)
Imagem relacionada    A prova real do amor é a obediência. Ao contrário daquilo que se afirma no mundo pagão, sedento de autoafirmação e soberba, quem ama obedece... Um filho que se sente amado não assumirá ares de rebeldia em relação aos pais. A mulher que se sente amada não terá arrepios ao ler o Apóstolo Paulo, que fala de submissão ao marido (cf. Ef 5,22-23). Muito ao contrário, os gestos e atitudes de obediência constituem uma espécie de resposta ao amor recebido. É o amor traduzido em entrega e abandono.

               Em nossa vida espiritual, que pensar de alguém que afirma amar a Deus e, ao mesmo tempo, se rebela contra seus mandamentos, autênticas defensas que o Pai celeste nos deu para seguirmos com segurança na estrada da vida? Como amar a Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, repelir o ensinamento da Igreja, seu Corpo? Como conciliar as emocionadas declarações de amor e o sentimento íntimo de ser tolhido pelo Amado? Que amor é esse que chega a incomodar?
               Fazendo um retiro espiritual no Foyer de Charité, em Mendes, RJ, veio-me a inspiração para este soneto, intitulado “OBEDECER”:

               Obedecer... Deixar que sua Mão
               Aponte cada passo do caminho,
               Sem escolher a flor, fugir do espinho,
               Sem afastar as pedras do meu chão...
Obedecer... Aposentar o “não”,
Deixar meu interesse mais mesquinho,
Abandonar a vida em desalinho,
Deixar que Deus me amasse como o pão...
               Obedecer... Queimar os meus navios
               E seguir arrastado pelos rios
               E remoinhos do querer de Deus...
E, assim, sem resistir ao seu transporte,
Deixar que Ele decida a minha morte,
Transfigurando em luz os erros meus...

Orai sem cessar: “Tuas exigências fazem minhas delícias!” (Sl 119,24)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

domingo, 29 de abril de 2018

PALAVRA DE VIDA


Permanecei em mim! (Jo 15,1-8)
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          Jamais chegaremos a esgotar a riqueza dos simbolismos que Jesus nos apresenta nesta alegoria da Videira. Músculos e prata, a videira extrai do solo os nutrientes que irá transformar em energia e doçura, cores e fragrâncias. Sob os raios do sol, produzirá as tonalidades do Bordeaux e os sabores do Valpolicella. Reunida a família, o vinho estreitará os corações, regendo os cânticos festivos e difundindo a alegria renovada. Mas para tudo isso, a uva deve ser esmagada...

               Jesus Cristo crucificado é a uva que se deixou esmagar generosamente. Sim, o vinho não foi escolhido por acaso como sinal sacramental. Ao lado do trigo generoso, também os cachos de uva devem ser colhidos, amputados do tronco, levados ao lagar e ali pisados sem piedade.
               Quando a Igreja contempla compungida o Cristo Crucificado, ela percebe que tem diante dos olhos a imagem daquele que foi calcado pelos homens. Desde o Calcário, seu sangue pisado é nossa bebida salutar. Sangue todo derramado, distribuído até a última gota, quando a lança aguda do centurião romano rasgou o lado de Jesus, “e imediatamente saiu sangue e água” (Jo 19,34).
               Na sagrada Eucaristia, uma vez alimentados pelo Corpo e Sangue de Cristo, passa a correr em nossas veias o mesmo Sangue derramado. Por este sacramento de vida, entramos em íntima comunhão com o Doador universal. Nas palavras ousadas de São Cirilo de Jerusalém, tornamo-nos com Jesus Cristo concorpóreos [sýssomos] e consanguíneos [sýnaimos]. De certo modo, nós somos cristificados com ele. Com ele e com sua missão salvadora...
               Daí em diante, como poderíamos negar-nos a ser pisados em benefício dos outros? Como negaríamos nosso esforço e trabalho, suor e cansaço, para ajudar a caminhada de nossos irmãos? Como iríamos, ainda, alimentar projetos de acumulação e glória, comodidade e lazer? Como nos limitaríamos a viver nossa própria vidinha, quando a própria vida de Cristo corre em nossas veias? Quando a cruz do Calvário nos é oferecida?
               Sim, permanecer em Jesus não sai barato. O preço desse amor sem medidas é a cruz partilhada. Desde o áspero Calvário, o humilde Simão de Cirene inaugurava tal modo de participação no amor e na cruz. Por isso mesmo, talvez, sejam tão poucos os que escutam o seu convite...

Orai sem cessar: “Quem poderá nos separar do amor de Cristo?” (Rm 8,35)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

sábado, 28 de abril de 2018

PALAVRA DE VIDA


Fará também as obras que eu faço... (Jo 14,7-14)
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        Estamos diante de uma promessa clara e direta de Jesus a quem o segue: “Quem crê em mim fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas.” Diante do aparente absurdo, Santo Agostinho fala por Jesus: “Realizarei mais por meio daquele que crer em Mim, do que realizo agora por mim mesmo”. Ao agir no poder do Ressuscitado, a Igreja parece superá-lo.

               De fato, a história conta como a primeira geração cristã estendeu o Evangelho muito além da Palestina, por onde Jesus limitara sua missão. Não se trata de ser mais que Jesus, mas, em comunhão com Ele, realizar uma tarefa que supera em muito a ação individual de qualquer pessoa.
               E eis Francisco Xavier cortando os mares até a Índia, o Japão e a China. Eis Antônio de Pádua a reanimar 5 mortos. Eis Teresa de Calcutá atendendo – um por um, um de cada vez – milhares de mendigos, enfermos e leprosos. Hoje, suas numerosas seguidoras também fazem obras maiores do que ela, multiplicando seu carisma, sua presença e sua ação por todo o planeta sofredor...
               Bem, devemos reconhecer, Jesus Cristo não disse que “qualquer um” faria isto. Somente aqueles que cressem... Somente aqueles que fizessem a aposta da fé. E por falar em fé, é impossível não pensar em Maria de Nazaré, aquela que acreditou. “Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!” – exclamou Isabel. (Cf. Lc 1,45)
E foi exatamente por ter acreditado que Maria obteve de Jesus o milagre inaugural, nas Bodas de Cana, com o vinho da alegria multiplicado além de toda expectativa. Foi também por sua fé inabalável que ela teve forças de permanecer de pé junto à cruz. Foi ainda pela fé que Maria acolheu como filhos toda a multidão dos fiéis que ela gerava no Calvário. E ao longo dos séculos, é pela fé que a Igreja, a exemplo de Maria, continua gerando novos filhos para Deus.
               Escorre a areia pela ampulheta. Somam-se os séculos. Caem por terra os impérios e os exércitos viram pó. Mas a Igreja, sob o manto de Maria, permanece firme em sua missão, sólida em seu combate, ancorada em sua fé. E é na fé que a Igreja amplia, multiplica e projeta para o futuro – até que venha o Cordeiro – os mesmos sinais que acompanharam Cristo nesta terra.

Orai sem cessar: “Com o auxílio de Deus faremos proezas!” (Sl 60,14)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

PALAVRA DE VIDA


 Muitas moradas... (Jo 14,1-6)
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       Logo no início de seu Evangelho, João registrou a pergunta que dois futuros discípulos dirigiram a Jesus: “Mestre, onde moras?” (Jo 1,38) Óbvio, quem pergunta pela morada de Jesus está interessado em morar com ele. Eram eles André e o próprio João. E logo o seguiram, conviveram com ele cerca de três anos, mas agora chegou a hora da despedida: “Por pouco tempo eu ainda estou convosco...” (Jo 13,33)

               Como consolar os seus discípulos que agora se angustiam com a iminente separação? Jesus acena-lhes com um reencontro: “Não se perturbe o vosso coração... Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fosse assim, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós. E depois que eu tiver ido e preparado um lugar para vós, voltarei e vos levarei comigo”. (Jo 14,1-2)
               Jesus não está dizendo que essas moradas são “diferentes”, mas “numerosas”. Longe de pensar em uma espécie de hierarquia celeste, onde o mais santo tem um apartamento mais espaçoso. Trata-se de uma referência à “amplitude” da salvação. O “lugar” anunciado por Jesus terá espaço para gente muito variada, de várias línguas, de diversos ritos, dos grupos mais diversificados.
               Estranho? Claro que não! O próprio Jesus tinha anunciado: “Quando eu for levantado da terra, atrairei TODOS a mim”. (Jo 12,32) Isto é, o sacrifício redentor no alto do Calvário irradia a salvação em dimensões universais. Não devemos estranhar se encontrarmos no céu (a misericórdia de Deus no-lo permita!) gente bastante diferente de nós. Afinal, o mesmo céu foi reinaugurado por um bandido: “Ainda hoje estarás comigo no Paraíso!” (Lc 23,43)
               Não estou afirmando que o inferno ficará vazio. Não tenho como saber disso. Mas creio firmemente que a misericórdia divina nos deixará de boca aberta. E os “justos” agraciados pelo Salvador não serão apenas o pequeno grupo de que fazemos parte. Jesus Cristo não fundou uma “igrejinha”, um partido de privilegiados, uma academia de iniciados. O próprio Apocalipse faz o censo de uma “multidão imensa, que ninguém podia contar, gente de todas as nações, tribos, povos e línguas”. (Ap 7,9)
               Aqui na terra, habitamos em tendas, não temos morada permanente. Paulo ensina: “De fato, sabemos que, se a tenda em que moramos neste mundo for destruída, Deus nos dá outra moradia no céu, que não é obra de mãos humanas e que é eterna. Aliás, é por isso que gememos, suspirando por ser sobrevestidos com a nossa habitação celeste”. (2Cor 5,1-2)
               Resumindo, no céu não existirá nenhum sem-teto...
Orai sem cessar: “Como são amáveis tuas moradas, Senhor!” (Sl 84,1)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

PALAVRA DE VIDA


 O servo não é maior que seu senhor... (Jo 13,16-20)
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              Na Última Ceia, em clima de despedida, Jesus acaba de lavar os pés de seus discípulos. Ele é Senhor, mas faz papel de escravo. Como se não bastasse, acrescenta: “Dei-vos o exemplo, para que façais assim como eu fiz para vós”. (Jo 13,15) Jesus completa com a frase que passa a ser um princípio para a Igreja: “O servo não é maior que o seu senhor”. E anuncia uma nova bem-aventurança, a ser anexada àquelas do Sermão da Montanha: “Sereis felizes se o puserdes em prática”.

               Duas palavras servem de eixo para a lição: servo e senhor. Bem entendido, os “servos” eram escravos, não funcionários subalternos. Os “servidores” têm carteira assinada, salário combinado e horário de trabalho definido. Já o escravo não tem nada: apenas vive à disposição de seu “dono” (palavra portuguesa derivada de “Dominus”, o senhor).
               Claro que o Mestre não estava propondo concretamente que uns lavassem os pés dos outros, mas uma vida de serviço amoroso, em clima de mútua humilde. É como se Jesus dissesse – comenta André Scrima, monge ortodoxo: “Minha presença no meio de vós é revelada  e sustentada pelo sinal desse amor humilde e recíproco, que fundamenta uma hierarquia diferente, ou seja, outra escala de posições entre os homens, diferente daquela que é habitual entre os filhos deste século. Assim, isto me tornará presente no meio de vós: que haja entre vós um amor direto, simples, espontâneo, sem discussão, disputa ou competição pela primazia”.
               Claro que é um desafio para todos nós. Nossa natureza tende para o polo oposto: ter razão, impor nossa visão, escolher o caminho, valer-se do outro para o destaque pessoal. Por isso mesmo, Scrima vai adiante: “Para nós, o serviço é uma provação para nossa força, nosso autodomínio e nossa boa fé. O próprio Senhor está entre nós como aquele que serve. Por isso, convém que sirvamos a seu exemplo, com facilidade e graça. Ele mesmo nos revelou a profundidade do mistério de Deus no dom de si. O mistério de Deus é que Ele é tudo e doa tudo”.
               Foi a reflexão de São Paulo: “Ele que era de condição divina, não se apegou a ser igual a Deus, mas despojou-se de si mesmo, assumindo a condição de escravo”. (Fl 2,5) É a este Senhor humilhado que devemos imitar. Há muitos “fiéis” procurando servir a um Vencedor, junto a seu Trono, cobrando seus Impostos. Pura fraude! Quem quiser seguir a Jesus, não o fará sem a cruz e a humilhação.
               E, conforme diz Jesus, é uma receita de... felicidade...
Orai sem cessar: “Senhor, sou teu servo!” (Sl 116,16)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

PALAVRA DE VIDA


 E o Senhor cooperava com eles... (Mc 16,15-20)
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          Podemos ver neste Evangelho o “último desejo” de Jesus. Trata-se exatamente da missão confiada a seus discípulos: ir por todo o mundo e anunciar o Evangelho. Da Judeia para a Palestina, da Palestina para “o mundo todo”. Tal amplitude como campo missionário deveria parecer aos seus discípulos uma tarefa fora de propósito. Afinal, eles eram um bando de lavradores, de pescadores, um ou dois zelotas, um cobrador de impostos aposentado... Que belo exército!

               Só que este raciocínio não leva em conta um fator essencial para a missão: o Espírito Santo lhes seria dado em Pentecostes. Com o “poder do alto” (Lc 24,49), veriam suas faculdades humanas potencializadas e suas deficiências mais que compensadas. De fato, o roceiro mostra-se poliglota, o covarde se faz ousado, o capiau se revela cosmopolita. Eram homens novos, forjados no fogo do Espírito.
               Hoje, sob o impacto de terríveis tsunamis morais, diante da invasão do consumismo e do ateísmo, a Igreja poderia sentir-se incapaz de levar adiante sua tarefa evangelizadora. Mas ela sabe da assistência do Espírito Santo em sua navegação espiritual. Eis o que escreveu o Papa João Paulo II em sua magnífica Encíclica sobre a “validade permanente do mandato missionário”:
               “No ápice da missão messiânica de Jesus, o Espírito Santo aparece-nos, no mistério pascal, em toda a sua subjetividade divina, como Aquele que deve continuar agora a obra salvífica, radicada no sacrifício da cruz. Esta obra, sem dúvida, foi confiada aos homens: aos Apóstolos e à Igreja. No entanto, nestes homens e por meio deles, o Espírito Santo permanece o sujeito protagonista transcendente da realização dessa obra, no espírito do homem e na história do mundo.” (Redemptoris Missio, 21)
               E mais: “Verdadeiramente o Espírito Santo é o protagonista de toda a missão eclesial: a sua obra brilha esplendorosamente na missão ad gentes, como se vê na Igreja primitiva pela conversão de Cornélio (cf. At 10), pelas decisões acerca dos problemas surgidos (cf. At 15), e pela escolha dos territórios e povos (cf. At 16, 6ss). O Espírito Santo age através dos Apóstolos, mas, ao mesmo tempo, opera nos ouvintes: Pela Sua ação, a Boa Nova ganha corpo nas consciências e nos corações humanos, expandindo-se na história. Em tudo isto, é o Espírito Santo que dá a vida.” (Idem)
               Vivo entre nós, o Espírito Santo nos impele à missão...

Orai sem cessar:O Senhor sustenta os que vacilam.” (Sl 145,14)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

terça-feira, 24 de abril de 2018

PALAVRA DE VIDA


 Até quando? (Jo 10,22-30)
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              A pergunta que os judeus fazem a Jesus costuma ser um indicativo de impaciência. “Até quando nos manterás em suspenso? Afinal, tu és, ou não, o Messias esperado? Estamos cansados de esperar por uma definição!” Claro que tinham má intenção: como S. Agostinho comenta, seu objetivo não era converter-se ao Messias, mas ter mais um motivo de calúnia e condenação contra o Rabi.

               Há outras passagens da Bíblia com a mesma pergunta inquieta e – por que não confessar? – um tanto desesperada. Como no Salmo 13 [12]: “Até quando, Senhor, de todo vos esquecereis de mim?” Esta impaciência sempre vem à tona de nossas almas quando a cruz é pesada e nada indica que logo nos será tirada. É como se sofrêssemos a cota de hoje e, por antecipação, já sofrêssemos também o peso do mesmo madeiro por toda uma sucessão de dias, semanas e anos futuros.
               Bem, reconheçamos: nós estamos mergulhados no tempo. Somos seres históricos, ainda que vocacionados ao eterno. E temos grande dificuldade em trabalhar com o tempo, pois nossa pretensão é viver, JÁ, a perfeição celestial. As imperfeições desta estrada provisória – a nossa vida terrena – nos incomodam muito. Tanto as imperfeições que existem em nós quanto aquelas que pululam nos outros. Nós temos grande dificuldade em esperar pelo tempo de Deus.
               “Até quando? Até quando?” Eis o refrão que a mãe repete quando o filho comete (outra vez!) o mesmo impropério. É o suspiro renovado da esposa que recebe (outra vez!) o marido bêbado. É o gemido do enfermo que ouve do médico a frase condenatória: “Vamos ter de iniciar outra série de quimioterapia...”
               E, no entanto, é no tempo que realizamos nossa história de salvação. É na sucessão, tantas vezes monótona, de dias e de cruzes, que estamos edificando um Reino para Deus. E cada dia que passa é mais um tijolo no muro da Jerusalém Eterna.
               Teremos surpresas, sim senhor! A grande novidade será chegar do outro lado, contemplar o Reino edificado e verificar – para espanto e alegria! – que entre as pedras da Cidade de Deus estão plantadas não apenas as boas obras e os sucessos de nossa vida... mas a argamassa, a unir as pedras, será feita de nossos erros e pecados, angústias e insônias, suspiros e lágrimas...

Orai sem cessar: “Esperei, esperei o Senhor:
ele se inclinou sobre mim, ouviu o meu grito.” (Sl 40,2)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

PALAVRA DE VIDA


Põe-se a caminho à sua frente... (Jo 10,1-10)
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               Pastor sofre! Basta ler a história de Moisés, chamado por Yahweh para liderar o povo hebreu na libertação do Egito... Sempre que as coisas iam mal, era sobre o indefeso Moisés que o povo “de dura cerviz” descarregava seu mau humor. Até mesmo dentro de sua família o líder viria a encontrar oposições e falatório.
Houve um momento crítico (cf. Ex 32), quando o próprio Senhor parecia disposto a abrir mão daquele povo, a ponto de dizer a Moisés: “Desce, pois o teu povo se perverteu, este povo que tu fizeste subir da terra do Egito.” Como se a iniciativa do Êxodo tivesse sido do pobre Moisés...
Mas o generoso Moisés se mostra solidário com o povo pecador, retrucando: “Por que, Senhor, tua cólera quer se inflamar contra o teu povo, que tu fizeste sair da terra do Egito?” Vale dizer: “O povo é teu! Cuida dele!” E rejeitou um tratamento especial da parte do Senhor, que excluísse a massa do povo.
               Como fazem falta pastores dessa estatura! Dirigentes dispostos a sofrer com seu povo. Líderes religiosos que partilhem no dia a dia as dores do rebanho. Pais e educadores que façam dos filhos e educandos a sua prioridade, sem pensar nos próprios comodismos e preferências... Em geral, os “líderes” estão dispostos a ser companheiros de estrada, ao lado de seu pequeno povo. Só que o rebanho quer pastores à sua frente. Não simples coleguinhas, mas pais e mães...
               Por outro lado, os rebanhos não mudaram nada: os pais sofrem com a rebeldia dos filhos, os bispos sofrem com a desobediência dos padres, o Papa sofre com a teimosia dos bispos...
               Nada, no entanto, que Jesus Cristo não tenha sofrido com a multidão, com os fariseus, com os sacerdotes do Tempo, com Judas e com Pedro.
               Favor abrir uma exceção para Maria de Nazaré, a Mãe de Deus, obediente, amorosa e fiel... Talvez por isso mesmo, ela continue caminhando à frente da Igreja, após mais de 2000 anos de história!
Orai sem cessar: “O Senhor nos fez, e a ele pertencemos.
Somos o seu povo e ovelhas de seu rebanho.” (Sl 100,3)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

domingo, 22 de abril de 2018

PALAVRA DE VIDA


 Tenho ainda outras ovelhas... (Jo 10,11-18)
Resultado de imagem para (Jo 10,11-18)          Nosso “espírito de corpo” é muito forte. Experimentamos uma inclinação natural a nos fechar em pequenos grupos, igrejolas frequentadas exclusivamente por gente que se parece conosco: mesma pele, mesmo idioma, mesmo credo, mesmo jeito de rezar. Que pena!

               Jesus – o Bom Pastor – diz com todas as letras que ele tem outras ovelhas em outros apriscos. E seu anseio profundo, manifestado claramente em sua oração antes do Getsêmani, é que “todos sejam um”. Aliás, seu exemplo não deixa nenhuma dúvida a esse respeito. Jesus curou judeus e samaritanos, atendeu aos patrícios e aos goyim: não judeus como o centurião romano e a siro-fenícia com sua filha endemoninhada.
               No início da Igreja, ao iniciar a missão evangelizadora, ainda havia gente “da casa” pensando que a Boa Nova seria anunciada exclusivamente ao Povo Escolhido. Aí, a visão da toalha (At 10) ensina Pedro,o  primeiro Papa, a “não chamar de impuro o que Deus tinha purificado”. E logo o Império helenizado ouvia a pregação de Paulo, de Atenas até a Espanha.
               Após o Concílio Vaticano II, não podemos mais hesitar a respeito deste ponto: o anseio ecumênico corresponde a um íntimo desejo do Senhor Jesus. Não podemos ignorá-lo nem combatê-lo. Seria mais uma traição. Claro que isto é difícil. Se fosse fácil, já o teríamos feito...
               Ainda que, no Brasil, perdure a “guerrinha” entre denominações cristãs, há sinais de aproximação que trazem alegria e esperanças. Em 1999, luteranos e católicos assinaram um acordo a respeito da justificação pela fé. Grupos católicos e pentecostais se reaproximam de muitos países. Os catorze Patriarcados das Igrejas Ortodoxas estarão reunidos em 2016, em Istambul, para o Concílio Pan-Ortodoxo, reunião que não ocorria desde o ano 787 d.C.
               Não faz muito tempo (maio de 1995), o saudoso João Paulo II publicou uma Encíclica sobre o empenho ecumênico: “Ut Unum Sint”. Ali, o Papa lembrava os mártires não-católicos que deram sua vida pela fé em Jesus Cristo: “Estes nossos irmãos e irmãs, irmanados na generosa oferta de suas vidas pelo Reino de Deus, são a prova mais significativa de que todo elemento de divisão pode ser vencido e superado com o dom total de si mesmo à causa do Evangelho”. (UUS, 1.)
               E mais: “Os crentes em Cristo não podem permanecer divididos. Se querem verdadeiramente fazer frente à tendência do mundo a tornar vão o Mistério da Redenção, os cristãos devem professar juntos a mesma verdade sobre a Cruz.”
               O mínimo que podemos fazer é, desde já, intensificar nossas orações pela unidade dos cristãos.
Orai sem cessar: “Que todos sejam um, ó Pai, como tu estás em mim e eu em ti!” (Jo 17,21)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

sábado, 21 de abril de 2018

PALAVRA DE VIDA


O Espírito é quem dá vida... (Jo 6,60-69)
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           De fato, o mesmo Espírito que pairava sobre as águas (Gn 1), “chocando” o ovo da futura Criação, é o Espírito que repousou sobre Jesus (Lc 4,18), preparando-o para sua missão, e o Espírito de Pentecostes (At 2), que se fez alma e motor da Igreja. O “hálito” divino que deu vida ao primeiro homem (Gn 2,7b) é o mesmo “sopro” que nos infunde a vida de Jesus. Aliás, sem a ação pontual do Espírito Santo, invocado pelo sacerdote na Santa Missa, não teríamos no pão o Corpo de Cristo, no vinho consagrado o Sangue de Cristo.
               Curiosamente, muitos fiéis não têm consciência de que, ao comungarem o Corpo e o Sangue de Cristo na Eucaristia, comungam também o Espírito Santo (que é o Espírito de Jesus). Um fruto direto dessa comunhão é o “espírito de unidade”. O Papa João Paulo II escreveu recentemente: “O dom de Cristo e de seu Espírito, que recebemos na comunhão eucarística, realiza plena e abundantemente os anseios de unidade fraterna que vivem no coração humano e ao mesmo tempo eleva esta experiência de fraternidade, que é a participação na mesma mesa eucarística, a níveis que estão muito acima da mera experiência de um banquete humano”. (Ecclesia de Eucharistia, 24.)
               Logo, é com toda a propriedade que Jesus afirma que não podemos tentar compreender de modo carnal o profundo mistério do dom de seu Corpo e Sangue: “A carne não serve de nada, o Espírito é quem dá a vida”. E acrescenta: “As palavras que Eu vos disse são Espírito (com inicial maiúscula no texto de São Jerônimo) e vida”.
               Nunca será demais acentuar o “realismo” da presença de Jesus nas espécies consagradas. Jesus não falava por símbolos. Tanto que o texto grego original de S. João chega a usar o verbo “trôguein” (mastigar; cf. Jo 6,54.56-57-58) em lugar do verbo “pháguein” (comer). Essa distinção desaparece na Vulgata, em latim, que talvez tenha estranhado o excesso de realismo...
               Diante das palavras de Jesus, muitos seguidores se afastaram para sempre. E ele diz aos Doze: “Também vós quereis partir?” E a resposta fulminante de Pedro: “A quem iríamos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!”
               E nós? A quem iríamos? Que alternativa teríamos para Jesus, que deu a vida por nós e nos alimenta na Eucaristia?
Orai sem cessar: “Senhor, tu tens palavras de vida eterna!”
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

PALAVRA DE VIDA


 Não tereis a vida em vós... (Jo 6,52-59)
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        Jesus Cristo se autodefiniu como “caminho, verdade e vida” (cf. Jo 14,6). Não mera vida biológica (bios), que se desagrega com a morte, mas vida espiritual [zoé] que transcende o tempo da existência material, como participação na vida divina.

        No discurso eucarístico de Jesus, em João 6, a palavra zoé (vida espiritual) aparece 9 vezes, além das várias repetições do verbo viver [záo], com a mesma raiz grega. E esta “vida” está sempre associada ao “pão de vida” – corpo e sangue de Jesus Cristo.
               Ora, Jesus garante a ressurreição a todo aquele que se alimenta deste “pão”. E chega ao extremo de afirmar solenemente: “Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós”. (Jo 6,53)
               No mesmo “discurso” de Jesus, devemos levar em conta os verbos traduzidos por “comer”. Ora o evangelista João usa o verbo pháguein, ora o verbo trôguein, este último no sentido material de “mastigar”, acentuando o realismo dessa alimentação. Louis Bouyer, um ministro luterano francês, acentua a diferença entre os verbos:
               “Nós não podemos expressar toda a força do que vem a seguir, pois o verbo grego trôguein, que nós traduzimos por ‘absorver’, é ainda mais claro; ele designa necessariamente uma manducação, e seu emprego aqui certamente é destinado a não deixar subsistir dúvida alguma quanto à materialidade do ato de que fala Jesus. É preciso igualmente acrescentar a insistência sobre a carne e o sangue que se come e bebe, em relação evidente com a consagração do pão e do vinho como corpo e sangue de Cristo, conforme a instituição da Eucaristia nos evangelhos sinóticos e na primeira Epístola aos Coríntios.”
               “Assim – continua Bouyer -, Jesus ensina como sendo indispensável uma assimilação de seu ser humano pelo nosso, assimilação misteriosa, mas tão real quanto é possível, a efetuar-se em uma ação física concreta. Por meio daquilo que São Cirilo de Alexandria chama muito exatamente de união física, nós poderemos permanecer nele, e ele em nós. Assim se estabelecerá entre nós e ele uma união análoga àquela que existe entre ele e seu Pai, e cujo efeito será que poderemos possuir, no Filho, a Vida que ele recebe do Pai.”
               Desde a encarnação do Verbo de Deus em Jesus Cristo, ninguém deve admirar-se de que a Vida transmitida pelo Espírito Santo – o mesmo Espírito que atua diretamente na hora da consagração, transubstanciando o pão no Corpo de Cristo, e o vinho em seu Sangue – nos seja comunicada por um meio material. Eis a maravilha dos Sacramentos da Igreja, onde a graça passa por sinais sensíveis, como a água, o óleo, o vinho, o pão e a palavra...
Orai sem cessar: “O Senhor é a força da minha vida!” (Sl 27,1)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

PALAVRA DE VIDA


Se meu Pai não o atrair... (Jo 6,44-51)
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        Nosso Deus é um grande sedutor. Ele não se contenta em chamar, mas atrai, seduz, magnetiza até o ponto de a pessoa sentir-se torturada em sua resistência ao amoroso abraço do Pai. Santo Agostinho foi exemplar ao descrever essa espécie de “saudade de Deus” que envolve o coração humano.

               Neste Evangelho, repete-se o “jogo de gato e rato” entre Jesus e seus ouvintes. Tal como no tempo do Êxodo (cf. Ex 15 a 17), os judeus do tempo de Jesus também se entregam às murmurações. Tal como em português, o verbo grego empregado pelo evangelista João também soa como onomatopeia: gogguyzo. O Mestre ensina, esclarece, dá sinais, mas eles estão obstinados à aparência das coisas, sem lhes penetrar o sentido profundo: “Não é ele o filho de José? Como ele diz que desceu dos céus” E permanecem longe de reconhecer o Filho de Deus...
               E Jesus explica o impasse: “Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o atrai”. André Scrima comenta a passagem: “A fé em Jesus não é somente uma obra não humana, mas ela acontece em decorrência da atração do Pai. Tal é o agir do Pai: atrair os homens para o Filho encarnado no mundo. A única verdadeira via para ir a Jesus é aquela que acontece pelo agir sobrenatural do Pai. Está escrito nos profetas: ‘todos os teus filhos serão instruídos por Deus’. (Is 54,13)”
               “A aliança que Deus concluiu com o povo eleito – prossegue Scrima – tem por finalidade fazê-lo acessar outra aliança, superior, uma aliança nova e completa, na qual ‘cada um não instruirá mais o seu vizinho ou seu irmão, dizendo: Conhece o Senhor!’ De fato, todos me conhecerão’ (Jr 31,31-34); e esta obra será Aquele que Deus enviará e dele nascerá. Ora, apesar desta obra que se completa com a vinda de Jesus até eles, os judeus não o quiseram receber diretamente de Deus, mas pela interposição dos profetas e dos rabinos instruídos.”
               Como explicara a incredulidade dos contemporâneos de Jesus? Apesar de todos os sinais, eles não conseguem admitir a origem divina de Jesus, pois esta é objeto da fé concedida pelo Pai, e não brota da simples visão humana. Como observa Louis Bouyer, “o movimento que leva o homem para Cristo, como aquele que impeliu o Filho a se encarnar para ir ao homem, é operado pelo Pai. É pelo próprio ensinamento que o Pai dá aos homens que estes são conduzidos a seu Filho”.
               Maravilhosa operação da Trindade que ama o homem e quer salvá-lo. Quando veio o Espírito de Pentecostes, os apóstolos penetraram neste mistério (cf. Cl 1,26).
Orai sem cessar: “Eu os atraía com laços de amor...” (Os 11,4)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

PALAVRA DE VIDA


 Vós vedes e não credes... (Jo 6,35-40)
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   Ver e crer – dois verbos que costumam andar juntos. Após a ressurreição de Jesus, um de seus discípulos chegou a afirmar: “Se eu não vir a marca dos pregos em sua mão, não acreditarei!” (Jo 20,25b.) Diante do casulo vazio formado pelas bandagens endurecidas que tinham envolvido o corpo de Jesus, o próprio evangelista descreve sua reação: “Viu e creu”. (Jo 20,8.)

               Exatamente este é o motivo da queixa de Jesus frente à multidão: “Vós me vistes, mas não credes”. Os sinais visíveis deveriam ter estimulado o ato de fé, mas não basta assumir a atitude de frio espectador. Louis Bouyer comenta esta passagem:
               “Destas primeiras palavras, nós extraímos uma constatação: os homens veem o Filho e não creem. Ora, a vontade do Pai é que todo aquele que, vendo o Filho, nele crê, tenha a Vida eterna. Talvez tenhamos insistido demais sobre o papel dado por São João à ideia de ‘ver’ o Filho. Sem cair no mesmo exagero, não devemos ignorar a insistência com que ele volta a este ponto.”
               O verbo grego empregado por São João [théoraô] não designa um olhar distraído, ocasional, mas carrega o sentido mais forte de “contemplar”, o que exige, talvez, um esforço de penetração por parte do espectador. Esta “intenção” poderia estar embutida naquele repto que Filipe fizera a Natanael: “Vem e vê!” (Jo 1,46)
               A 1ª Carta de João se refere a este olhar “penetrante” em direção a Jesus: “Aquele que vimos [eorákamen] com nossos próprios olhos...” (1Jo 1,1) Trata-se de um encontro que envolve os sentidos humanos – “nossos ouvidos ouviram... nossas mãos apalparam...” -, de modo que a razão seja auxiliada e reforçada pelo aparato sensorial, como se, de algum modo, o próprio Deus “forçasse” o encontro com o Salvador.
               “E parece – continua Bouyer – que, graças a esse encontro com o Filho, cuja encarnação nos dá sua possibilidade, nossa contemplação do Filho realça o vínculo que existe entre Ele e nós no pensamento do Pai, vínculo manifestado pela fé que nasce, então, em nós. Se nós tivéssemos tão somente esta passagem, sem os detalhamentos oferecidos em seguida, ela bastaria para mostrar que a adesão a Cristo não é apenas um ato do homem. O ato de fé realizado pelo homem é o efeito produzido nele por um ato do Pai. Porque o Pai tinha dado o crente ao Filho que ele ‘enviou” é que o crente veio, viu e creu.”
               Daí a oração de Paulo, pedindo que Deus “ilumine os olhos do coração” dos efésios (cf. Ef 1,18). Sem esse olhar iluminado, não chegamos à fé no Salvador.
Orai sem cessar: “Tudo isto eu vi quando apliquei meu coração...” (Ecl 8,9)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

terça-feira, 17 de abril de 2018

PALAVRA DE VIDA


Nunca terá sede! (Jo 6,30-35)
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       Jesus lembra os hebreus do passado, que caminharam errantes pelo deserto por 40 anos. Quando tiveram fome, foram alimentados pelo maná que Deus mandava do céu. Mas comeram e morreram. A seguir, Jesus se dirige aos hebreus de seu tempo (e também a nós!), fazendo uma preciosa promessa: “Aquele que vem a mim... quem crê em mim... não terá fome... não terá sede...”

               Em um livro de grande valor: “Deus em Questão” (Ed. Ultimato, Viçosa, MG, 2005), Armand M. Nicholi Jr. confronta dois ateus: o escritor irlandês C. S. Lewis e o psiquiatra austríaco Sigmund Freud. O primeiro ateu foi agraciado com uma experiência de Deus que o curou das marcas do passado e mergulhou sua vida em uma imprevista alegria. O segundo, apesar de graves interrogações sobre Deus e sobre o seu próprio ateísmo, mostrou-se empedernido e acabaria sua vida sem fé, sem amigos e sem paz. De fato, sua sede interior jamais foi aplacada.
               Vejo na vida de C. S. Lewis o cumprimento da promessa de Jesus: a sede do coração humano só pode ser saciada por Cristo! Após sua descoberta de Deus, seus ressentimentos foram superados, a depressão foi curada, sua capacidade de trabalho aumentou e ele escreveu suas principais obras. Antes deprimido e pessimista, Lewis descobriu a alegria de viver entre amigos e partilhar a mesma fé. A experiência do amor de Deus o levaria a amar o próximo. Conforme ele escreveu, “Deus reserva para nós a felicidade definitiva e a segurança que todos nós desejamos”.
               Em nossa sociedade, não há muita gente feliz. A sede do coração humano faz chorar e gemer nas madrugadas insones. Muitos tentam amenizar tal sede com drogas e prazer, álcool e trabalho, viagens e posses. Mas a sede do coração humano é muito mais profunda. Brota do íntimo do ser. A experiência diária demonstra que nada deste mundo pode amenizar o seu ardor.
               Bem-aventurados aqueles que se voltam para Jesus Cristo e em suas mãos se abandonam. Neles se cumpre infalivelmente a promessa do Senhor: “Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, do seu interior manarão rios de água viva.” (Jo 7,37-38.)
               E nós? Já nos voltamos para a fonte de água viva? Ou ainda bebemos a água lodosa de poços envenenados?

Orai sem cessar: “Ó Deus, todas as minhas fontes se acham em ti!” (Sl 87,7)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

PALAVRA DE VIDA


 A obra de Deus... (Jo 6,22-29)
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          Após a multiplicação dos pães, sinal antecipado da futura Eucaristia, foi vã a tentativa de Jesus ao se isolar, pretendendo um pouco de sossego com seus discípulos. A multidão logo achou uma forma de encontrá-lo. Mas Jesus sabe de seu verdadeiro interesse: eles julgavam ter à sua disposição um padeiro que fazia mágicas. Nada mais cômodo! É outro, porém, o objetivo do Mestre.

               Para Dom Claude Rault, Bispo do Saara, o que importa para Jesus “não é mais distribuir o pão, mas pôr aquela multidão a trabalhar, comprometida com um trabalho que dá o verdadeiro alimento: o trabalho da Fé. De fato, o próprio Deus permanece em operação no mundo. Deus trabalha. Ele está incessantemente em obras. “Meu Pai trabalha sempre, e eu também trabalho” (Jo 5,17) – afirmou Jesus, quando o acusaram de ter curado em um dia de sábado”.
               “Nós precisamos reconhecer – prossegue Dom Rault – que Deus está operando na sua Criação, no coração dos homens, e que Ele tem necessidade de nós! Ele é o artesão do universo e de nossas existências humanas. E seu trabalho é um trabalho que dura a vida inteira, ele não cessa de nos gerar para a vida. Deus quer que o homem viva. Ele quer que eu viva. E a primeira forma de eu me associar a esta obra de Deus é crer na vida e me comprometer no terreno da vida. Trabalhar nas obras de Deus é crer na vida e, ao mesmo tempo, engajar-me para salvaguardar esta vida.”
               De fato, Deus poderia fazer tudo sozinho. Especialmente naquilo que é exterior ao homem. Depois, porém, de nos criar livres à sua imagem e semelhança, Ele passa a contratar operários como colaboradores para sua Criação. E Ele começa por aquilo que é mais precioso na natureza, diz Dom Claude Rault: a pessoa humana.
               “O discípulo de Jesus é um parceiro de Deus em sua obra de Criação e de renovação da pessoa em Jesus Cristo. Desde então, crer não é mais uma adesão puramente intelectual e vaporosa, piedosamente recitada em nosso Credo dominical. É um engajamento de todo o ser, de todo o meu ser para trabalhar com Deus para que nossa Terra viva! Aí está o que é primariamente um “ser eucarístico”: uma pessoa habitada pela vida. Celebrar a Eucaristia é celebrar o Deus do universo, o Deus da humanidade, e nós nos tornarmos os seus parceiros.”
               Na Eucaristia, recebemos o Pão de vida. É hora de nos questionarmos a respeito da vida que ali recebemos e que devia ser transmitida para o mundo. Se não fazemos este trabalho, estamos recusando a obra de Deus...
Orai sem cessar: “O pão que eu darei é minha carne, pela vida do mundo...” (Jo 6,51b)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

domingo, 15 de abril de 2018

PALAVRA DE VIDA


 A Paz esteja convosco! (Lc 24,35-48)
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   Jesus venceu a morte e ressuscitou. A inesperada notícia já correu entre os discípulos. Mas ainda estão dominados pelo medo, trancados no Cenáculo. Eles ainda não têm a Paz. Por isso mesmo, quando Jesus passa pelas portas fechadas (Jo 20,19) e se manifesta entre os discípulos, pensam estar diante de um fantasma.

Entrando no salão trancado, Jesus seus corações sofridos, onde pulsam objeções e perturbação. Sabe que precisa apaziguá-los. E lhes diz: “A paz esteja convosco!” Os discípulos aprendem que a Paz não pode ser fabricada, não resulta de esforço humano puro e simples, acordos internacionais, campanhas de desarmamento. A Paz é dom de Deus. E em cada missa pedimos que o Cordeiro (a vítima) de Deus nos a paz...
Jesus mostra as marcas da Paixão: sua carne perfurada nas mãos e nos pés. “Sou eu mesmo! Tocai-me!” É uma Pessoa real, que fala nossa língua, sente nossas angústias e – de modo que nossa razão não pode entender – chega a comer um pedaço de peixe grelhado (v. 42) bem diante de seus olhos!
               Foi com espanto que ouviram Jesus repassar as etapas de sua missão pessoal: sofrer a morte, ressuscitar e dar seu Nome para pregação da Igreja, que convida à conversão e à experiência do perdão dos pecados. Os discípulos cumprem aqui um papel intransferível: eles são as testemunhas de tudo isso!
               Assim, o apóstolo João pode afirmar de Jesus Cristo: “Este que ouvimos, que vimos com os nossos olhos e nossas mãos apalparam”. (1Jo 1,1) E Pedro confirmará em praça pública: “Somos testemunhas de tudo isso!” (At 2,32)
               Uma última advertência: a missão da Igreja não se realiza apenas com recursos humanos. É por isso que Jesus renova a promessa: “Eu vou enviar-vos o Prometido de meu Pai. Permanecei na cidade até que sejais revestidos com o poder do Alto”. Jesus fala do Espírito Santo, a alma da Igreja, que anima e impele toda a evangelização.
               O Papa João Paulo II escreve: “O Espírito Santo é o protagonista de toda a missão eclesial: a Sua obra brilha esplendorosamente na missão ad gentes, como se vê na Igreja primitiva pela conversão de Cornélio (At 10), pelas decisões acerca dos problemas surgidos (At 15), e pela escolha dos territórios e povos (At 16,6ss)”. (Redemptoris Missio, 21.)
               Minha vida está em paz? Conto com o Espírito Santo, invocando-o em minhas decisões? Deixo-me guiar por ele em minha missão cristã?

Orai sem cessar: “Jesus Cristo, Cordeiro de Deus, dai-nos a paz!”
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

sábado, 14 de abril de 2018

PALAVRA DE VIDA


 Ao anoitecer... (Jo 6,16-21)
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     Enquanto Jesus está em oração sobre a montanha, a noite cai e o mar se agita. Na barca, os discípulos lutam contra os elementos. É quando Jesus se aproxima, caminhando sobre as águas encapeladas. O medo toma conta de todos eles.

Não é novidade o medo de Deus. Aliás, os antropólogos costumam identificar o medo como raiz das religiões primitivas, medo que deu origem a rituais, exorcismos e sacrifícios cruentos. Mesmo no Antigo Testamento, manifesta-se este “terror” que vai além do sadio “temor”. Moisés o testemunha: “O Senhor vos falou face a face na montanha, no meio do fogo. Eu estava, então, de pé entre o Senhor e vós, para vos transmitir suas palavras, pois tínheis medo do fogo e não subistes a montanha”. (Dt 5,4-5)
               O verdadeiro conhecimento de Deus induz a uma relação de amizade, de filiação, de confiança. O conhecimento imperfeito desvia-se em superstição ou em racionalismos. Neste Evangelho, os discípulos se apavoram ao ver Jesus sobre as águas. O texto paralelo (Mt 14,26) chegar a dizer que eles pensavam ver um fantasma.
               Para Jean Valette, “existe, seguramente, um elemento de ignorância e de superstição neste medo que nos faz confundir Deus com o indeterminado, o fantasmagórico e todas as possibilidades ameaçadoras e imprevisíveis que nos parecem agitar-se nos espaços do desconhecido e do futuro. Sem dúvida, porém, é preciso ver mais fundo. Este temor é também a justa apreciação do mistério e da santidade de Deus. O temor que nos advém da ação divina é aquele dos caminhos abertos para uma liberdade que desperta em nós a vertigem da diversidade dos possíveis e a necessidade de assumir o risco da obediência e das escolhas ligadas à fé”.
               Nada mais verdadeiro! Muita gente tem medo de Deus por antever um chamado, uma missão que iria abalar seu comodismo, sua “situação”, impelindo-os a um voo tão alto, a um mergulho tão profundo, capaz de causar essa vertigem que os santos experimentaram em sua existência.
               Jean Valette ainda chama a atenção para um detalhe desta cena: era de noite... “Esta é uma cena noturna. É de noite que os pastores ficam sabendo que lhes nasceu um Salvador. É de noite que a semente germina e cresce. É de noite que o Senhor reza e vêm ao homem as revelações divinas. Enfim, é de noite que o Senhor dá a Ceia e o esposo vem. Ela é o sinal do mistério. A noite também é filha de Deus.”
              
Orai sem cessar: “No amor não há medo.” (1Jo 4,18)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.


sexta-feira, 13 de abril de 2018

PALAVRA DE VIDA


 Onde compraremos pães para que eles comam? (Jo 6,1-15)
Imagem relacionada       Ora, estamos em pleno deserto. A multidão presente é enorme. Os “recursos humanos” são escassos: cinco pães de cevada e dois peixes. Mesmo despojando o menino (cf. v. 9) de sua matula, a multidão passará fome. Claro, a pergunta de Jesus é mera provocação. Um dos economistas do grupo, Filipe, rapidamente calcula: “Nem duzentos denários de pão bastariam...”

               O povo que cerca Jesus tem uma história. Seus antepassados já haviam cruzado o deserto por 40 anos (cf. Êxodo). Ali mesmo, passaram fome e foram saciados com um “pão” que eles não haviam plantado e colhido: o maná, o “pão do céu” que Deus forneceu (cf. Ex 16) até que chegassem à Terra Prometida e tivessem a primeira colheita (cf. Js 5,12).
               É chegado o momento de receber um novo dom. O pão multiplicado por Jesus apenas aponta para esse dom inesperado, que o povo da Nova Aliança irá receber e partilhar em cada Eucaristia.
               Por enquanto, porém, é preciso reconhecer a própria insuficiência, a própria incapacidade de sobreviver às custas de nossos próprios recursos, das técnicas desenvolvidas e mesmo do potencial da natureza criada. Enfim, nós somos dependentes. Esta consciência nos abre para os dons “do alto”.
               Eis a reflexão de Christian Chessel, um dos quatro Padres Brancos de Tisi Ouzou, Argélia, assassinados por terroristas islâmicos em 1994: “Aceitar nossa impotência e nossa pobreza radical é um convite, um chamado premente a criar com os outros relações de não-poder. Ao reconhecer minha fraqueza, eu posso aceitar a dos outros e ver nisso um apelo a sustentá-la, a fazê-la minha, à imitação de Cristo. A fraqueza do apóstolo é como a de Cristo, enraizado na força da Páscoa e na força do Espírito. Ela não é passividade nem resignação, ela supõe muita coragem e impele a comprometer-se pela justiça e pela verdade, denunciando a ilusória sedução da força e do poder”.
               Aí está: somos fracos e limitados. A multidão tem fome. Não temos pão. Sem uma abertura para o alto, isto é, sem contar com a intervenção de Deus, nosso Pai, jamais mataremos a fome de nossos irmãos. Jamais teremos a coragem de nos arriscar por eles, mas ficaremos paralisados na contemplação da miséria humana.
               Jesus tomou o pão em suas mãos, “deu graças” e distribuiu à multidão, que comeu, ficou saciada e deixou sobras. Dar graças significa reconhecer que podemos ter pão do céu. Mas sempre será um risco comer o pão dos irmãos e deixar que passem fome...
Orai sem cessar: “Senhor, dá-nos sempre deste pão!” (Jo 6,34)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

PALAVRA DE VIDA


 O Pai ama o Filho... (Jo 3,31-36)
Resultado de imagem para (Jo 3,31-36)      Deus é amor, define São João. Este amor é um amor eterno, vivido no seio da Trindade antes que nada existisse. No Deus uno e trino, realiza-se a comunhão amorosa de três Pessoas: o Pai amante, o Filho amado e o Espírito que é amor partilhado e comunicado entre o Pai e o Filho.

 Em momentos especiais dos Evangelhos, como as teofanias do Batismo e da Transfiguração, a voz do Pai declara o seu amor: “Tu és o meu Filho muito amado; ponho em ti minha afeição”. (Lc 3,22.) Gerado eternamente pelo Pai (genitum, non factum, isto é, “gerado, mas não criado”, afirma o Credo de Niceia e Constantinopla), o Filho é o modelo de acolhida do divino Amor.
               Há certos mistérios que nossa limitada razão humana não consegue atingir: como é que um Pai amoroso permite – e chega mesmo a propor! – que seu Filho se encarne e dê a vida por nossa salvação? Em nossa mentalidade humana, amar alguém inclui a atitude de envolvê-lo em uma redoma que o vacine contra todo sofrimento. Nós mesmos, em nossa vida pessoal e familiar, muitas vezes falhamos em nossa missão pela recusa dos sofrimentos inerentes a ela.
               Talvez a resposta a esse mistério esteja exatamente no amor. O Pai tem outros filhos. Eles estão afastados, rompido que foi o canal da comunicação amorosa entre coração e coração. A Paixão e Morte do Verbo encarnado, isto é, do Filho, condição por ele assumida em plena liberdade, participando do mesmo amor do Pai, viria reatar a amizade rompida entre o Pai Criador e todos os filhos dispersos. Impelido pelo Espírito, o Filho abraça o desígnio do Pai e nos resgata da morte do pecado, ao preço de seu sangue.
               Também não estamos aptos a compreender como se sentia Jesus, Deus e homem verdadeiro, em sua experiência terrena. Mas podemos levantar ao menos uma ponta do véu e imaginar que ele se sentia de tal modo amado pelo Pai, que os extremos sofrimentos da carne eram acima de tudo uma resposta de amor. Padecimentos físicos, dores morais, sofrimentos do espírito, tudo adquire nova dimensão sob o signo do amor, tal como as dores do parto são compensadas pela alegria do filho que nasceu como novo atrativo para o amor materno.
               Você se sente amado pelo Pai? Esta experiência amorosa o conforta nas horas difíceis? Não seria o caso de pedir a Jesus a graça de partilhar do seu sentimento de ser amado como filho?

Orai sem cessar: “Pai de amor, eu quero ser teu filho amado!”
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

PALAVRA DE VIDA


Tanto amou o mundo... (Jo 3,16-21)
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      Muitos comentaristas do Novo Testamento entendem que Jo 3,16 pode ser tomado como a síntese de toda a Boa Nova: Deus ama o mundo; e o ama ao extremo, o que inclui a “doação” de seu Filho único para que o mundo seja salvo. O Deus da Vida, Criador universal, só pode querer a salvação de todos.

               Louis Bouyer é um desses comentaristas: “Esta frase resume mais particularmente o ensinamento sobre a Vida que é dado nesta parte do Evangelho. Deus, segundo o constante ponto de vista de São João, tem como caráter essencial um amor sem medida por sua criatura, amor cuja força incomparável e cuja soberana liberdade se unem em um dom tão gratuito quando total: o dom do Filho único. O objetivo deste dom é que os homens tenham ‘a Vida’”.
               Mas não se pode descuidar a atenção para uma cláusula do mesmo versículo: “para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”. CRER. Sem o ato de fé, fica em suspenso o dom oferecido. A falta de fé torna inoperante a Vida oferecida...
               “Até aqui – comenta Bouyer – nós vimos a Vida tornada acessível à humanidade pela morte e glorificação de Cristo, em seguida comunicada a cada homem pelo batismo; agora, aprendemos como o homem pode gozar efetivamente deste dom do Filho: é pela fé... ‘a fim de que todo aquele que nele crê não pereça’. Esta menção da fé introduz um breve desenvolvimento que nos deve fazer considerar segundo uma perspectiva nova a relação entre a Vida e a Luz. O prólogo [do Evangelho de João] nos tinha ensinado como, no Verbo, a Luz procede da Vida; aqui nós aprendemos como a Luz nos conduz a essa Vida de onde ela decorre.”
               Entende-se desta forma como a eventual condenação de alguém não deriva de um ato formal, de um “julgamento” de Deus, mas da própria recusa individual em acolher a Vida por Ele oferecida. “Aquele que não crê já está julgado” (cf. Jo 3,18), pois, “em presença da Luz, sua recusa em crer assume um significado positivamente mau: demonstra que o incrédulo está associado às trevas.”
               Se não tivéssemos recebido a Revelação na pessoa de Jesus Cristo, ainda teríamos a “desculpa da ignorância”. Mas, uma vez iluminados pelo Evangelho, somos responsáveis pela opção que fazemos entre vida e morte, entre verdade e mentira, entre Luz e trevas. Esta é a pregação de Paulo no Areópago de Atenas: “Sem levar em conta os tempos da ignorância, Deus agora faz saber à humanidade que todos, em todo lugar, devem converter-se”. (At 17,30)
               Não se pode negar: a recusa da fé é uma recusa do Amor...
Orai sem cessar: “Escolhi o caminho da verdade!” (Sl 119,30)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.